Câncer Colorretal: Rastreamento no SUS com Sangue Oculto

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 61 anos procura uma unidade básica de saúde (UBS) de uma cidade grande desejando receber um pedido para colonoscopia, pois ouviu que é um exame preventivo necessário após os 50 anos de idade para detecção de câncer do intestino. Questionado pela médica da UBS, o paciente relata que não apresenta sintomas gastrointestinais, anemia, perda de peso ou histórico familiar de câncer de intestino. Considerando-se que neste município existe ampla disponibilidade de recursos diagnósticos, e levando em conta as políticas públicas do Ministério da Saúde para rastreamento, que conduta inicial a médica deverá adotar nesse caso?

Alternativas

  1. A) Fornecer o pedido de colonoscopia para diagnóstico precoce ao paciente, para que ele busque realizar o exame no SUS por meio de ação judicial.
  2. B) Solicitar colonoscopia para diagnóstico precoce e informar o paciente da possível demora para sua realização, visto que não há suspeita de câncer.
  3. C) Solicitar exame de sangue oculto nas fezes, informando o paciente de que se trata de um exame indicado pelo SUS para rastreio de câncer do intestino.
  4. D) Esclarecer que o SUS não prevê a realização de colonoscopia para rastreio de câncer de intestino e orientar o paciente a realizar o exame no setor privado.

Pérola Clínica

Rastreamento de câncer colorretal no SUS para risco habitual (50-75a) = Teste de sangue oculto nas fezes (imunoquímico).

Resumo-Chave

No Brasil, a estratégia de rastreamento populacional do câncer colorretal pelo SUS para pacientes de risco habitual é o teste de sangue oculto nas fezes. A colonoscopia, por ser um exame invasivo e de maior custo, é reservada para casos com teste de rastreio positivo ou para indivíduos de alto risco.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer colorretal (CCR) visa detectar pólipos pré-malignos ou o câncer em estágio inicial, quando o tratamento é mais eficaz. As políticas públicas de saúde, como as do SUS no Brasil, precisam balancear a eficácia dos métodos com a viabilidade logística e econômica para aplicação em larga escala. Por isso, a estratégia adotada é o rastreamento sequencial. Para a população de risco habitual, definida como indivíduos assintomáticos entre 50 e 75 anos sem histórico familiar relevante, o exame de primeira linha é o teste de sangue oculto nas fezes, preferencialmente o teste imunoquímico fecal (FIT). Este exame é não invasivo, de baixo custo e de fácil execução, permitindo uma triagem ampla. Apenas os pacientes com resultado positivo são encaminhados para a colonoscopia. A colonoscopia, embora seja o padrão-ouro para diagnóstico e remoção de lesões, é um procedimento invasivo, que requer preparo intestinal, sedação e possui maiores custos e riscos. Portanto, seu uso é direcionado para a investigação de casos suspeitos (triagem positiva) ou para o rastreamento primário de populações de alto risco, otimizando os recursos do sistema de saúde.

Perguntas Frequentes

Quando a colonoscopia é indicada diretamente no SUS para rastreamento?

A colonoscopia é indicada como exame primário para pacientes de alto risco, como aqueles com história familiar de câncer colorretal em parente de primeiro grau antes dos 60 anos, portadores de síndromes genéticas (Lynch, Polipose Adenomatosa Familiar) ou com doença inflamatória intestinal de longa data.

Qual a conduta se o teste de sangue oculto nas fezes for positivo?

Um resultado positivo no teste de sangue oculto nas fezes é uma indicação formal para a realização de uma colonoscopia. O teste de triagem não diagnostica o câncer, mas seleciona os pacientes que necessitam de uma investigação diagnóstica invasiva para confirmar ou descartar a presença de lesões.

Qual a diferença entre o teste de guaiaco e o teste imunoquímico fecal (FIT)?

O teste imunoquímico (FIT) é mais específico para hemoglobina humana, não exigindo restrições dietéticas e sendo menos propenso a falsos positivos. O teste de guaiaco pode reagir com peroxidases de alimentos. Por sua maior acurácia, o FIT é o método preferencial recomendado pelo Ministério da Saúde.

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