TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
De acordo com as recomendações atuais do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e da World Gastroenterology Organization (WGO), qual exame de rastreamento de câncer colorretal é indicado para a população?
Rastreio CCR (risco médio) → Iniciar aos 45 anos com Sangue Oculto (anual) ou Colonoscopia (10/10 anos).
As principais sociedades brasileiras e internacionais reduziram a idade de início do rastreamento de câncer colorretal para 45 anos em pacientes de risco médio, devido ao aumento da incidência em populações mais jovens.
O rastreamento do câncer colorretal (CCR) é uma das intervenções de saúde pública mais eficazes, pois a doença geralmente evolui a partir de lesões precursoras (pólipos) ao longo de anos. A transição da idade de início de 50 para 45 anos reflete uma mudança global na epidemiologia da doença. No Brasil, o Ministério da Saúde e as sociedades de especialidade (SBCP e SBOC) alinharam-se a essa tendência para capturar casos em faixas etárias mais jovens que anteriormente ficavam fora da zona de rastreio. O teste de sangue oculto nas fezes (FIT) é uma estratégia de triagem econômica e de alta adesão para programas populacionais, enquanto a colonoscopia oferece a vantagem de ser diagnóstica e terapêutica (polipectomia) simultaneamente. A escolha do método deve considerar a disponibilidade de recursos, a preferência do paciente e a capacidade do sistema de saúde em garantir o seguimento adequado. O objetivo final é reduzir a incidência através da prevenção secundária e aumentar a sobrevida através do diagnóstico precoce.
A mudança nas recomendações da SBCP, SBOC e outras entidades internacionais como a American Cancer Society ocorreu devido a evidências epidemiológicas robustas que demonstram um aumento significativo na incidência de câncer colorretal (CCR) em adultos com menos de 50 anos (CCR de início precoce). Estudos mostram que iniciar o rastreamento aos 45 anos em indivíduos de risco médio oferece um benefício favorável em termos de anos de vida ganhos e redução da mortalidade, superando os riscos potenciais dos procedimentos. Essa estratégia visa detectar não apenas o câncer em estágios iniciais, mas principalmente identificar e remover pólipos adenomatosos precursores antes da transformação maligna.
Para indivíduos de risco médio (sem histórico familiar ou síndromes genéticas), as opções incluem testes baseados em fezes ou exames estruturais. O teste de sangue oculto nas fezes (preferencialmente o FIT - Teste Imunoquímico Fecal) deve ser realizado anualmente. Entre os exames estruturais, a colonoscopia é o padrão-ouro, devendo ser realizada a cada 10 anos se o exame inicial for normal e de boa qualidade. Outras alternativas incluem a sigmoidoscopia flexível a cada 5 anos ou a colonotomografia computadorizada (colonoscopia virtual) a cada 5 anos. É fundamental que qualquer teste de fezes positivo seja seguido obrigatoriamente por uma colonoscopia diagnóstica.
Pacientes com um familiar de primeiro grau com câncer colorretal ou adenoma avançado diagnosticado antes dos 60 anos, ou dois familiares de primeiro grau em qualquer idade, devem iniciar o rastreamento mais cedo. A recomendação geral é iniciar aos 40 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar mais jovem, o que ocorrer primeiro. Nesses casos, a colonoscopia é o método preferencial e deve ser repetida a cada 5 anos. Se o familiar foi diagnosticado após os 60 anos, o rastreio pode seguir as normas da população geral (início aos 45 anos), mas algumas diretrizes ainda sugerem vigilância mais rigorosa.
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