UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2019
Júlio, 65 anos, comparece a uma consulta com seu médico de família para seguimento. Tem hipertensão arterial, hipercolesterolemia, obesidade e osteoartrose de joelho direito. Medicações em uso: sinvastatina, hidroclorotiazida, enalapril e paracetamol (se dor). Nega sintomas dos diversos aparelhos. Nega internações ou cirurgias. Fumou no passado, parou há 15 anos. Bebe 1 taça de vinho vários dias na semana. Nega uso de drogas ilícitas. Não faz exercícios físicos regularmente. Vacinação: dT esquema completo (2010), febre amarela (2018), influenza (2018). É casado há 35 anos, nega relação sexual extra- marital. Tem 3 filhos e 4 netos. Todos moram na mesma vizinhança. Pais vivos (mãe: 89 anos e pai: 91 anos). Exame físico: BEG, corado, hidratado, AAA, IMC:35,9 kg/m2, PA:130X75mmHg; Pulmonar: MV presente e simétrico, sem ruídos adventícios; Cardiovascular: ictus cordis não palpável, RCR, 2T, BNF s/ sopros, pulsos presentes e simétricos, ausculta carotídea: sem sopros, Exames laboratoriais (semana anterior a consulta): função renal normal, colesterol total: 155 mg/dL, HDL: 35mg/dL, LDL: 100 mg/dL, Triglicerídeos: 120mg/dL, glicemia de jejum: 95mg/dL. O médico encaminhou o sr Júlio para o grupo multidisciplinar para o tratamento da obesidade, recomendou a manutenção dos medicamentos em uso e solicitou pesquisa de sangue oculto nas fezes. Assinale a alternativa correta em relação ao exame de sangue oculto nas fezes. Assinale a alternativa correta em relação ao exame de sangue oculto nas fezes solicitado:
Rastreamento de câncer colorretal com sangue oculto nas fezes = prevenção secundária.
A pesquisa de sangue oculto nas fezes é uma ferramenta de rastreamento para câncer colorretal em indivíduos assintomáticos, visando detectar a doença em estágios iniciais. Isso se enquadra na prevenção secundária, que busca identificar e intervir precocemente em doenças já estabelecidas, mas ainda sem manifestações clínicas.
O rastreamento do câncer colorretal é uma estratégia fundamental de saúde pública, visando a detecção precoce de lesões pré-malignas (pólipos adenomatosos) ou câncer em estágio inicial, quando as chances de cura são significativamente maiores. A doença é a terceira causa mais comum de câncer e a segunda de morte por câncer globalmente, com incidência aumentando em populações mais jovens. Fatores de risco incluem idade avançada, histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais, obesidade e sedentarismo. A pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF), especialmente o teste imunoquímico fecal (FIT), é um método de rastreamento não invasivo e de baixo custo. Ele detecta pequenas quantidades de sangue nas fezes, que podem ser indicativas de pólipos ou tumores. Um resultado positivo requer investigação adicional, geralmente com colonoscopia, para identificar a fonte do sangramento e realizar biópsia ou remoção de lesões. É crucial entender que a PSOF é uma ferramenta de rastreamento, não diagnóstica, e sua sensibilidade e especificidade variam. A solicitação da pesquisa de sangue oculto nas fezes para o Sr. Júlio, um homem de 65 anos, se enquadra perfeitamente nas diretrizes de prevenção secundária. Mesmo assintomático e sem queixas de sangramento, a idade é um fator de risco primário para câncer colorretal, justificando o rastreamento. A manutenção dos medicamentos e o encaminhamento para o grupo de obesidade demonstram uma abordagem integral da saúde do paciente, onde o rastreamento oncológico é um componente essencial do cuidado preventivo em atenção primária.
Prevenção primária visa evitar a doença antes que ela ocorra (ex: vacinação, hábitos saudáveis). Prevenção secundária busca detectar e intervir precocemente em uma doença já estabelecida, mas ainda assintomática (ex: rastreamento de câncer).
É indicada para rastreamento de câncer colorretal em indivíduos assintomáticos com risco médio, geralmente a partir dos 45-50 anos, dependendo das diretrizes locais e fatores de risco individuais.
Os principais métodos incluem a pesquisa de sangue oculto nas fezes (imunoquímico ou guáiaco), colonoscopia, sigmoidoscopia flexível e colonografia por TC. A escolha depende da disponibilidade, risco do paciente e preferência.
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