MedEvo Simulado — Prova 2026
Roberto, 55 anos, motorista de caminhão, comparece à Unidade Básica de Saúde para uma consulta de rotina, motivado por uma campanha de saúde que ouviu no rádio. Ele é tabagista (carga tabágica de 20 maços-ano), possui Índice de Massa Corporal (IMC) de 31 kg/m² e é sedentário. Nega quaisquer queixas urinárias, como hesitação ou polaciúria, e afirma que seu hábito intestinal é regular, sem sangramentos ou dor abdominal. Relata que seu pai faleceu aos 82 anos por causas cardiovasculares e que não há casos de câncer em parentes de primeiro grau. Durante a consulta, Roberto demonstra preocupação e solicita ao médico "todos os exames disponíveis" para prevenir o câncer de intestino e o de próstata. Com base nas diretrizes brasileiras vigentes do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a conduta mais adequada é:
CCR: Sangue oculto bienal (50-75 anos). Próstata: Decisão compartilhada (não há rastreio populacional).
No Brasil, o MS/INCA recomenda rastreio de CCR com sangue oculto bienal entre 50-75 anos. Para próstata, a recomendação é não realizar rastreio sistemático, priorizando a decisão compartilhada.
O rastreamento oncológico visa detectar lesões pré-malignas ou tumores em estágios iniciais em indivíduos assintomáticos. No Brasil, as políticas públicas são baseadas em evidências de custo-efetividade e impacto na mortalidade. Para o câncer colorretal, a detecção de sangue oculto permite identificar pólipos ou tumores precoces, reduzindo a mortalidade. Já no câncer de próstata, a evolução lenta de muitos tumores e a falta de especificidade do PSA levam a uma alta taxa de intervenções em doenças que nunca seriam clinicamente relevantes, justificando a abordagem de decisão compartilhada em vez de rastreio universal.
O INCA recomenda o rastreamento para homens e mulheres entre 50 e 75 anos. O método preferencial é a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSOF) a cada 2 anos. Se o resultado for positivo, deve-se realizar a colonoscopia. A colonoscopia como exame inicial a cada 10 anos é uma alternativa aceitável em outros protocolos, mas a saúde pública brasileira foca na PSOF bienal.
O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional organizado para o câncer de próstata porque as evidências atuais mostram que os danos (sobrediagnóstico, sobretratamento, incontinência, impotência) superam os benefícios de redução de mortalidade específica pela doença.
É o processo em que o médico informa ao paciente sobre os possíveis benefícios e riscos (falsos positivos, biópsias desnecessárias) do exame de PSA e toque retal. O paciente, ciente das incertezas, decide junto ao médico se deseja realizar os exames.
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