Papanicolau em Pessoas Transmasculinas: Guia Completo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Jan é uma pessoa não binária transmasculina. Tem 28 anos e procura a UBS para a realização de Papanicolau (colpocitologia oncótica). Identifica-se como homossexual, iniciou atividade sexual aos 22 anos, com penetração vaginal. Faz uso de testosterona injetável e apresenta ressecamento vaginal. Neste caso, a colpocitologia oncótica:

Alternativas

  1. A) está recomendada; o estrógeno tópico está contraindicado; e a coleta deve ser realizada com lubrificante à base de água. 
  2. B) está recomendada; deve-se utilizar um espéculo de menor tamanho; o estrógeno tópico está contraindicado, assim como o uso de lubrificante, pelo risco de alterar o resultado do exame. 
  3. C) está recomendada; pode-se prescrever estrógeno tópico vaginal alguns dias antes e lubrificante à base de água no momento da coleta. 
  4. D) não está recomendada, pois se refere a alguém com disforia de gênero; neste caso, o desconforto gerado pelo exame clínico seria maior que o risco de câncer de colo de útero nessa população. 

Pérola Clínica

Papanicolau em pessoa transmasculina com útero → recomendado; estrógeno tópico + lubrificante à base de água facilitam a coleta.

Resumo-Chave

Pessoas transmasculinas com colo de útero devem seguir as diretrizes de rastreamento para câncer cervical. O uso de testosterona pode causar atrofia vaginal, dificultando a coleta, mas estrógeno tópico e lubrificante podem ser usados para melhorar a qualidade do exame e o conforto do paciente.

Contexto Educacional

O rastreamento para câncer de colo de útero através da colpocitologia oncótica (Papanicolau) é fundamental para todas as pessoas que possuem colo de útero, independentemente de sua identidade de gênero ou orientação sexual. A população transmasculina, muitas vezes, enfrenta barreiras no acesso à saúde ginecológica devido à transfobia, falta de conhecimento dos profissionais e disforia de gênero, o que pode levar a atrasos no diagnóstico e tratamento de lesões pré-cancerígenas. O uso de testosterona em pessoas transmasculinas pode induzir atrofia vaginal e ressecamento, tornando o exame de Papanicolau mais desconfortável e dificultando a obtenção de uma amostra adequada. Nesses casos, a prescrição de estrógeno tópico vaginal por alguns dias antes do exame pode melhorar a troficidade da mucosa, e o uso de lubrificante à base de água durante a coleta é recomendado para minimizar o desconforto sem interferir na análise citopatológica. É crucial que os profissionais de saúde ofereçam um ambiente acolhedor e respeitoso, validando a identidade de gênero do paciente e explicando a importância do exame. A comunicação aberta sobre os desconfortos e a oferta de estratégias para minimizá-los são essenciais para garantir a adesão ao rastreamento e promover a saúde integral da população transmasculina.

Perguntas Frequentes

Pessoas transmasculinas que usam testosterona precisam fazer Papanicolau?

Sim, se possuírem colo de útero, devem seguir as diretrizes de rastreamento para câncer cervical, independentemente do uso de testosterona, pois o risco de lesões pré-cancerígenas e câncer permanece.

Como facilitar a coleta de Papanicolau em caso de ressecamento vaginal?

Pode-se prescrever estrógeno tópico vaginal alguns dias antes do exame para melhorar a troficidade da mucosa e utilizar lubrificante à base de água no momento da coleta para minimizar o desconforto e garantir uma amostra adequada.

A disforia de gênero deve ser considerada na decisão de realizar o Papanicolau?

Sim, o desconforto psicológico e físico associado à disforia de gênero deve ser abordado com sensibilidade e acolhimento. Contudo, a disforia não contraindica o exame se houver indicação clínica, sendo crucial uma preparação e comunicação adequadas.

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