FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022
Ao atender Pedro, um homem transexual, de 26 anos, com história de relações sexuais por penetração vaginal, sem comorbidades e sem história familiar pregressa de comorbidades, ele lhe informa que deseja realizar exames de prevenção secundários. Diante disso, quais exames você indicaria? Marque a assertiva correta.
Homem transexual com colo de útero e histórico de sexo vaginal → rastreamento de câncer de colo de útero com citopatológico.
Mesmo após a transição de gênero, indivíduos transexuais que mantêm órgãos reprodutivos femininos (como o colo do útero) e têm histórico de exposição sexual devem seguir as diretrizes de rastreamento para câncer de colo de útero, conforme a idade e fatores de risco. A identidade de gênero não altera a necessidade de rastreamento de órgãos presentes.
A saúde da população transgênero exige uma abordagem sensível e informada, especialmente no que tange à prevenção secundária. A prevalência de câncer de colo de útero é a mesma em mulheres cisgênero e homens transexuais com colo de útero, desde que haja exposição ao HPV. A importância clínica reside em garantir que essa população não seja negligenciada nas campanhas de rastreamento devido a preconceitos ou falta de conhecimento dos profissionais de saúde. A detecção precoce de lesões pré-cancerígenas através do exame citopatológico é fundamental para a redução da morbimortalidade por câncer de colo de útero. A fisiopatologia do câncer de colo de útero está intrinsecamente ligada à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV). Homens transexuais que mantêm o colo do útero e têm histórico de relações sexuais por penetração vaginal estão sob risco de infecção pelo HPV e, consequentemente, de desenvolver displasias e câncer. O diagnóstico é feito através do exame citopatológico (Papanicolau), que busca alterações celulares. Deve-se suspeitar da necessidade de rastreamento em qualquer indivíduo com colo de útero, independentemente da identidade de gênero, a partir da idade recomendada para o início do rastreamento (geralmente 25 anos no Brasil) ou após o início da vida sexual. O tratamento das lesões pré-cancerígenas varia de acordo com o grau da lesão, podendo incluir observação, crioterapia, conização ou excisão eletrocirúrgica por alça (LEEP). O prognóstico é excelente quando as lesões são detectadas e tratadas precocemente. Pontos de atenção incluem a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para oferecer um atendimento acolhedor e competente a pacientes transgênero, a importância de uma anamnese detalhada sobre a anatomia e histórico sexual, e a superação de barreiras de acesso e estigma que podem dificultar a adesão desses pacientes aos programas de rastreamento.
Os exames de rastreamento para homens transexuais dependem dos órgãos presentes e do histórico clínico. Se o indivíduo possui colo de útero e histórico de relações sexuais por penetração vaginal, o exame citopatológico de colo de útero (Papanicolau) é indicado. Outros rastreamentos, como mamografia, dependem da presença de tecido mamário e fatores de risco.
O exame citopatológico é crucial para homens trans que possuem colo de útero, pois permite a detecção precoce de lesões pré-cancerígenas ou câncer de colo de útero, que podem se desenvolver independentemente da identidade de gênero. A prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para o sucesso do tratamento.
A abordagem da saúde preventiva em pacientes transgênero deve ser individualizada, considerando a anatomia presente, o histórico médico, o uso de hormônios e os fatores de risco específicos. É essencial uma comunicação aberta e respeitosa, garantindo que os pacientes se sintam confortáveis para discutir suas necessidades de saúde.
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