Rastreamento Câncer Colo Útero em HIV: Diretrizes Essenciais

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

S.C.V, 18 anos de idade, G1 P0 A1, soropositiva para o vírus da imunodeficiência humana e em tratamento antirretroviral, vem à consulta médica com resultado de contagem de linfócitos CD4+ abaixo no valor de 180 células/mm3. A paciente refere preocupação quanto ao risco de câncer de colo do útero. Diante do caso clínico, a conduta correta de acordo com as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero é:

Alternativas

  1. A) Realizar imediatamente o exame citopatológico para rastreamento do câncer do colo do útero com intervalos semestrais no primeiro ano de seguimento.
  2. B) Não realizar o exame citopatológico para rastreamento do câncer do colo do útero. Indicar o início à coleta apenas aos 25 anos de idade.
  3. C) Realizar o exame citopatológico para rastreamento do câncer do colo do útero com intervalo de 12 meses. Se dois exames consecutivos forem normais, a mulher deverá retornar à rotina de rastreamento citológico trienal.
  4. D) Indicar o início da coleta do exame citopatológico para rastreamento do câncer do colo do útero quando a paciente completar 20 anos de idade, com intervalos anuais.

Pérola Clínica

Mulheres HIV+ com CD4 < 200 → rastreamento citopatológico semestral no 1º ano.

Resumo-Chave

Em pacientes HIV positivas, especialmente com imunossupressão grave (CD4 < 200 células/mm³), o risco de lesões intraepiteliais e câncer de colo do útero é significativamente maior. As diretrizes brasileiras recomendam um rastreamento mais intensivo para detectar precocemente essas lesões.

Contexto Educacional

O câncer de colo do útero é uma das neoplasias mais comuns em mulheres, e sua incidência é significativamente maior em pacientes infectadas pelo HIV, especialmente aquelas com imunossupressão avançada. A infecção pelo HIV compromete a resposta imune, dificultando a depuração do HPV e aumentando a persistência viral, o que acelera a progressão das lesões pré-cancerígenas para o câncer invasivo. Compreender as diretrizes específicas para essa população é crucial para a prática clínica e para a saúde pública. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. As diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero em mulheres HIV positivas diferem da população geral, preconizando um início mais cedo e uma frequência maior dos exames citopatológicos. A contagem de linfócitos CD4+ é um marcador importante da imunossupressão e influencia diretamente a periodicidade do rastreamento, indicando a necessidade de vigilância intensificada em casos de CD4 baixo. O tratamento das lesões pré-cancerígenas e do câncer de colo do útero em pacientes HIV positivas segue princípios semelhantes aos da população geral, mas pode exigir considerações adicionais devido à imunossupressão e às interações medicamentosas com a terapia antirretroviral. A vacinação contra o HPV é também uma estratégia preventiva essencial, e deve ser oferecida a todas as mulheres, incluindo as HIV positivas, dentro das faixas etárias recomendadas.

Perguntas Frequentes

Qual a frequência do rastreamento de câncer de colo do útero em mulheres HIV positivas?

Em mulheres HIV positivas, o rastreamento citopatológico deve ser iniciado o mais precocemente possível após o diagnóstico do HIV. Se a contagem de CD4 for < 200 células/mm³, recomenda-se exames semestrais no primeiro ano.

Por que mulheres HIV positivas têm maior risco de câncer de colo do útero?

Mulheres HIV positivas apresentam maior risco devido à imunossupressão, que dificulta a eliminação do Papilomavírus Humano (HPV), principal agente etiológico do câncer cervical, e favorece a progressão das lesões.

Qual a idade de início do rastreamento de câncer de colo do útero em pacientes HIV?

Não há uma idade mínima definida para o início do rastreamento em pacientes HIV positivas; ele deve ser iniciado o mais cedo possível após o diagnóstico da infecção, independentemente da idade, devido ao risco aumentado.

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