FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023
Ana Clara, mulher cisgênero, 17 anos, busca atendimento ginecológico. Durante a consulta manifesta desejo de realização de exame preventivo para rastreamento do câncer de colo do útero devido a corrimento vaginal de coloração amarelada e odor fétido. Nega dor em baixo ventre. Relata ser sexualmente ativa, heterossexual, ter um parceiro atualmente e já ter tido 2 parceiros anteriores. Não utiliza método de barreira, alegando que o parceiro prefere não o utilizar. Faz uso de anticoncepcional oral. Ao exame presença de leucorréia acinzentada e bolhosa com odor fétido, colo visualizado sem alterações. Ausência de dor a mobilização de colo e anexos. Analisando o caso relatado, marque a alternativa correta em relação à conduta médica.
Adolescente < 25 anos sem indicação de Papanicolau, com corrimento bolhoso e odor fétido → Vaginose bacteriana + rastreio IST + orientação.
A paciente, com 17 anos, não tem indicação para rastreamento de câncer de colo do útero (Papanicolau). Os sintomas de corrimento acinzentado, bolhoso e odor fétido são sugestivos de vaginose bacteriana, e a história sexual de risco exige rastreamento de IST e aconselhamento sobre métodos de barreira.
A saúde sexual e reprodutiva de adolescentes é um tema de grande relevância na ginecologia, exigindo uma abordagem sensível e educativa. Adolescentes sexualmente ativas estão expostas a riscos como infecções sexualmente transmissíveis (IST) e gravidez não planejada. A consulta ginecológica nesse grupo deve focar na prevenção, rastreamento e tratamento adequado, além de fornecer informações claras sobre sexualidade e métodos contraceptivos. O rastreamento do câncer de colo do útero, por meio do exame citopatológico (Papanicolau), tem diretrizes específicas de idade. No Brasil, a recomendação é iniciar o rastreamento a partir dos 25 anos em mulheres que já iniciaram atividade sexual, e não antes, pois a maioria das lesões em adolescentes regride espontaneamente e o rastreamento precoce pode levar a intervenções desnecessárias. A paciente em questão, com 17 anos, não tem indicação para Papanicolau. Os sintomas de corrimento vaginal acinzentado, bolhoso e com odor fétido são altamente sugestivos de vaginose bacteriana, uma disbiose da flora vaginal, e não uma IST clássica, embora possa estar associada a comportamentos de risco. A tricomoníase também pode causar corrimento bolhoso e odor, mas a descrição 'acinzentada' favorece a vaginose. Dada a história sexual da paciente (múltiplos parceiros, não uso de barreira), é crucial ofertar rastreamento para ISTs (HIV, sífilis, hepatites, clamídia, gonorreia) e reforçar a importância dos métodos de barreira, como o preservativo, para proteção contra ISTs, mesmo com o uso de anticoncepcional oral para contracepção.
No Brasil, o rastreamento do câncer de colo do útero com exame citopatológico (Papanicolau) é recomendado para mulheres a partir dos 25 anos de idade que já iniciaram atividade sexual, e deve ser realizado até os 64 anos.
A vaginose bacteriana é diagnosticada pelos critérios de Amsel: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); e presença de 'clue cells' (células-chave) no exame microscópico.
Adolescentes sexualmente ativas, especialmente com múltiplos parceiros ou sem uso de métodos de barreira, têm alto risco de adquirir ISTs. O rastreamento precoce permite o diagnóstico e tratamento, prevenindo complicações a longo prazo como infertilidade, dor pélvica crônica e transmissão para parceiros.
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