LSIL/ASC-US em Adolescentes: Conduta no Rastreamento

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Adolescente, 16 anos de idade, é levada ao serviço de saúde pela mãe, para avaliar resultado de preventivo de câncer de colo de útero mostrando lesão de baixo grau no citopatológico cérvicovaginal. Segundo as diretrizes nacionais de rastreamento, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) repetir a citologia em 6 meses.
  2. B) repetir a citologia aos 25 anos de idade.
  3. C) repetir a citologia em 3 anos.
  4. D) encaminhar para colposcopia com biópsia.

Pérola Clínica

Adolescente < 25 anos com LSIL/ASC-US → Repetir citologia em 3 anos (regressão espontânea comum).

Resumo-Chave

Em adolescentes (< 25 anos), lesões de baixo grau (ASC-US ou LSIL) no citopatológico cérvicovaginal têm alta taxa de regressão espontânea devido à imaturidade da junção escamocolunar e à alta prevalência de infecção por HPV transitória. As diretrizes recomendam repetir a citologia em 3 anos.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de colo de útero em adolescentes e mulheres jovens (<25 anos) segue diretrizes específicas devido às particularidades da infecção por HPV nessa faixa etária. Lesões de baixo grau, como ASC-US (Atipias de Células Escamosas de Significado Indeterminado) e LSIL (Lesão Intraepitelial Escamosa de Baixo Grau), são muito comuns em adolescentes e, na grande maioria dos casos, regridem espontaneamente sem necessidade de intervenção. A fisiopatologia dessas lesões está intrinsecamente ligada à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), que é altamente prevalente em jovens sexualmente ativas. A imaturidade da junção escamocolunar e a alta capacidade de eliminação viral pelo sistema imunológico do adolescente contribuem para a regressão espontânea. Portanto, a conduta expectante é a mais adequada, evitando procedimentos invasivos desnecessários que podem causar ansiedade e potenciais complicações obstétricas futuras. As diretrizes nacionais recomendam, para adolescentes com ASC-US ou LSIL, a repetição da citologia em 3 anos. Somente em casos de persistência da lesão ou progressão para lesões de alto grau (HSIL) em exames subsequentes é que se considera a colposcopia. É fundamental que residentes compreendam essa abordagem diferenciada para evitar o sobrediagnóstico e o sobretratamento nessa população.

Perguntas Frequentes

Por que a conduta para LSIL/ASC-US em adolescentes é diferente da conduta em mulheres adultas?

Em adolescentes, a infecção por HPV é muito comum e transitória, e as lesões de baixo grau (LSIL/ASC-US) têm alta probabilidade de regressão espontânea. A conduta expectante evita intervenções desnecessárias e seus potenciais impactos na fertilidade futura.

Qual a importância da idade no rastreamento do câncer de colo de útero?

A idade é crucial porque a prevalência e a persistência da infecção por HPV, bem como a progressão para lesões de alto grau e câncer, variam significativamente entre as faixas etárias, justificando diferentes protocolos de rastreamento e manejo.

Quando uma adolescente com LSIL/ASC-US precisaria de uma colposcopia?

Uma colposcopia seria indicada se a lesão persistisse ou progredisse para um grau mais elevado (ex: HSIL) em exames citopatológicos subsequentes, ou se houvesse achados preocupantes na repetição do exame.

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