Rastreamento de Câncer de Colo Uterino na Gestação

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 32 anos, multípara, realiza pré-natal na atenção básica. Relata não ter realizado exame preventivo de colo uterino há mais de 6 anos. Não há queixas ginecológicas. Qual a conduta correta?

Alternativas

  1. A) Aguardar término da gestação para coleta.
  2. B) Suspender rastreamento devido à idade.
  3. C) Realizar coleta do exame citopatológico durante o pré-natal.
  4. D) Indicar apenas exame colposcópico.

Pérola Clínica

Gestação não é contraindicação para Papanicolau; se o rastreio estiver atrasado, deve ser realizado no pré-natal.

Resumo-Chave

O rastreamento do câncer de colo do útero deve seguir a periodicidade habitual mesmo durante a gestação, aproveitando a oportunidade do pré-natal para atualizar exames atrasados.

Contexto Educacional

O câncer de colo do útero é uma patologia evitável através do rastreamento sistemático. Durante a gestação, o contato frequente da paciente com o sistema de saúde no pré-natal representa uma oportunidade diagnóstica crucial, especialmente para mulheres com acesso limitado a serviços de saúde ou que não realizam o preventivo regularmente. A fisiologia da gestação altera a zona de transformação (ZT), que frequentemente se torna mais visível (ectropia), facilitando a coleta ectocervical. É fundamental que o médico tranquilize a paciente sobre a segurança do procedimento, explicando que pequenos sangramentos após a coleta são comuns devido à congestão vascular pélvica e não representam risco à evolução da gravidez ou ao feto.

Perguntas Frequentes

É seguro realizar o Papanicolau durante a gravidez?

Sim, a coleta do exame citopatológico é segura em qualquer período da gestação, preferencialmente até a 28ª semana. A técnica de coleta deve ser adaptada: utiliza-se apenas a espátula de Ayre para a ectocérvice, evitando-se o uso da escova endocervical para prevenir sangramentos do canal cervical, que está mais vascularizado, embora o risco fetal seja inexistente. O procedimento não interfere na evolução da gravidez e é fundamental para o diagnóstico precoce de lesões precursoras.

Qual a periodicidade do rastreamento citopatológico?

Segundo o Ministério da Saúde, o rastreamento deve ser realizado em mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. Após dois exames anuais consecutivos normais, a periodicidade passa a ser a cada três anos. Se uma gestante está com o exame atrasado (mais de 3 anos do último), a coleta deve ser priorizada no pré-natal, pois a gestação não altera a história natural das lesões pré-neoplásicas de forma a justificar o adiamento.

Como proceder se o resultado for alterado na gestante?

Resultados alterados na gestação devem ser avaliados criteriosamente. Lesões de baixo grau (LSIL) ou ASC-US geralmente são acompanhadas após o parto. Lesões de alto grau (HSIL) exigem colposcopia imediata por profissional experiente. A biópsia só é realizada se houver suspeita clínica de invasão, e o tratamento definitivo (como a conização) é quase sempre postergado para o período puerperal, a menos que haja confirmação de câncer invasor.

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