UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Mulher, 66 anos de idade, sexualmente ativa, em novo relacionamento, encontra-se assintomática. Refere ter realizado anualmente exame citológico cérvico-vaginal preventivo sem alterações. De acordo com as Diretrizes Brasileiras atuais para o rastreamento para o câncer do colo uterino, qual é a conduta mais adequada?
Teste DNA-HPV = Padrão-ouro atual por maior sensibilidade e maior intervalo entre exames.
As diretrizes brasileiras mais recentes incorporam o teste de DNA-HPV como método preferencial de rastreio, superando a citologia em sensibilidade e permitindo intervalos maiores com segurança.
O rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil está passando por uma mudança de paradigma com a incorporação de testes de biologia molecular. O teste de DNA-HPV identifica a presença dos tipos virais de alto risco (como 16 e 18) antes mesmo do surgimento de alterações citológicas. Para uma mulher de 66 anos, sexualmente ativa e com novo parceiro, a vigilância deve ser mantida, e o teste de DNA-HPV oferece a melhor acurácia diagnóstica. Historicamente, o rastreio era feito com citologia anual, passando a trienal após dois resultados normais. Contudo, a superioridade do teste de DNA-HPV em termos de sensibilidade e a redução de resultados falso-negativos consolidaram sua indicação como a conduta mais adequada nas diretrizes atualizadas, visando a eliminação do câncer de colo de útero como problema de saúde pública.
O teste de DNA-HPV possui uma sensibilidade significativamente superior à citologia (Papanicolaou) para detectar lesões precursoras de alto grau (NIC 2+). Além disso, seu alto valor preditivo negativo permite que o intervalo entre os rastreios seja estendido com segurança para 5 anos, caso o teste seja negativo, reduzindo o número de exames necessários ao longo da vida e aumentando a eficácia da detecção precoce.
Segundo as diretrizes brasileiras tradicionais, o rastreamento deve ser realizado até os 64 anos em mulheres que tiveram pelo menos dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos. No entanto, para mulheres acima dessa idade que nunca realizaram o exame ou que iniciaram novos relacionamentos sexuais, a avaliação deve ser individualizada, considerando que o risco de persistência do HPV e progressão para câncer ainda existe.
Se o teste de DNA-HPV for positivo para tipos oncogênicos, a conduta subsequente geralmente envolve a realização de uma citologia reflexa (triagem) para verificar a presença de alterações celulares. Se a citologia for alterada (ASC-US ou superior), a paciente deve ser encaminhada para colposcopia. Se a citologia for normal, o teste de HPV deve ser repetido em um intervalo menor (geralmente 12 meses).
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