Rastreamento Câncer Colo Útero: Papanicolau em Homens Trans

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Considerando as recomendações atuais do Instituto Nacional de Câncer (INCA) do Ministério da Saúde quanto ao rastreamento para câncer do colo do útero, e também o dito na Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (2013), assinale a opção que contém uma recomendação correta para a realização do exame papanicolau.

Alternativas

  1. A) Homem trans, 31 anos de idade, de orientação heterossexual, com vida sexual ativa, sem histórico de relações com homens.
  2. B) Mulher cis, 49 anos de idade, de orientação homossexual, sem vida sexual ativa, sem histórico de relações com homens.
  3. C) Mulher cis, 21 anos de idade, de orientação heterossexual, com vida sexual ativa, com histórico de relações com homens.
  4. D) Homem trans, 69 anos de idade, de orientação bissexual, com vida sexual ativa, com histórico de relações com homens.

Pérola Clínica

Homem trans com colo uterino → rastreamento Papanicolau conforme diretrizes INCA (início 25 anos, vida sexual ativa).

Resumo-Chave

O rastreamento para câncer do colo do útero é indicado para todas as pessoas com colo uterino, independentemente de sua identidade de gênero ou orientação sexual, seguindo as diretrizes de idade e início da vida sexual. Homens trans que mantêm o colo uterino devem ser incluídos no rastreamento.

Contexto Educacional

O rastreamento para câncer do colo do útero é uma estratégia fundamental de saúde pública, visando a detecção precoce de lesões pré-cancerígenas e cancerígenas. As diretrizes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomendam o início do rastreamento com o exame citopatológico (Papanicolau) para mulheres e pessoas com colo uterino a partir dos 25 anos de idade que já tiveram atividade sexual, com periodicidade definida. A compreensão dessas diretrizes é crucial para a prática clínica e a prevenção. A Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (2013) enfatiza a necessidade de uma abordagem inclusiva e respeitosa na oferta de serviços de saúde. Para homens trans que não realizaram histerectomia e, portanto, ainda possuem colo uterino, o rastreamento para câncer cervical é tão necessário quanto para mulheres cisgênero. A identidade de gênero não altera o risco biológico associado à presença do colo uterino e à exposição ao HPV, que é o principal agente etiológico do câncer cervical. A recomendação correta, portanto, se aplica a um homem trans com colo uterino, vida sexual ativa e idade dentro da faixa de rastreamento (25-64 anos). É um erro comum assumir que a identidade de gênero ou a orientação sexual eliminam a necessidade de rastreamento. Profissionais de saúde devem estar atentos para oferecer o cuidado adequado, garantindo que barreiras de acesso e preconceitos não impeçam a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer do colo do útero nessa população, promovendo a equidade em saúde.

Perguntas Frequentes

Quem deve fazer o exame Papanicolau?

O Papanicolau é recomendado para todas as pessoas que possuem colo uterino e já iniciaram a vida sexual, geralmente a partir dos 25 anos, com periodicidade bienal ou trienal, conforme as diretrizes do INCA.

Homens trans precisam fazer Papanicolau?

Sim, homens trans que mantêm o colo uterino devem realizar o Papanicolau seguindo as mesmas recomendações de idade e frequência que as mulheres cisgênero, devido ao risco de câncer cervical associado à infecção por HPV.

Qual a importância da Política Nacional de Saúde Integral LGBT no rastreamento?

Essa política reforça a necessidade de inclusão e acesso equitativo aos serviços de saúde para a população LGBT, garantindo que homens trans com colo uterino sejam devidamente rastreados para câncer cervical, combatendo a discriminação e as barreiras de acesso.

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