UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2017
Em um dia normal de trabalho, médicos de família e comunidade atendem a muitos casos diferentes. Certa manhã, determinado médico atendeu a quinze pacientes, entre os quais se encontravam os seguintes: (1) uma criança de cinco anos de idade com suspeita de abuso sexual, trazida pela mãe; (2) um idoso de sessenta e seis anos de idade, tabagista, com diabetes melito (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS); (3) uma mulher de vinte e três anos de idade, estudante universitária, que não tomava banho havia uma semana; (4) um bebê de uma semana de vida (5) e sua mãe, puérpera, para consulta normal; (6) um adolescente de dezessete anos de idade, com rolha de cera; (7) uma idosa de setenta e um anos de idade, com diabetes melito (DM) e obesa, com úlcera no membro inferior esquerdo, (8) e sua filha, e cuidadora, de quarenta e nove anos de idade, que não dormia regularmente havia um mês. Considerando esses casos clínicos, julgue o item a seguir. No que se refere à saúde pública e às informações contidas nos casos clínicos, como medida preventiva oportunística, o médico de família deverá oferecer o exame Papanicolau às pacientes 3, 5 e 8.
Rastreamento CA colo útero (Brasil) → 25 a 64 anos, após início da atividade sexual.
O rastreamento citopatológico no Brasil deve iniciar aos 25 anos para mulheres que já iniciaram vida sexual, com periodicidade trienal após dois exames anuais normais.
O rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil é regido pelas diretrizes do INCA. A estratégia é o rastreamento oportunístico ou organizado de mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos. A questão apresenta um cenário de Medicina de Família e Comunidade onde o médico deve decidir a quem oferecer o exame. A alternativa está incorreta porque a paciente 3 tem 23 anos, situando-se abaixo da idade recomendada para o início do rastreio. Embora a paciente 8 (49 anos) e a paciente 5 (puérpera, se tiver mais de 25 anos) pudessem ser candidatas, a inclusão da paciente de 23 anos invalida a conduta como medida preventiva padrão baseada em evidências nacionais. O médico deve sempre ponderar o benefício do rastreio contra o risco de sobretratamento em populações jovens.
O rastreamento deve começar aos 25 anos de idade para mulheres que já tiveram ou têm atividade sexual. Não se recomenda o rastreio antes desta idade, mesmo que a atividade sexual tenha começado muito cedo.
A recomendação é realizar o exame anualmente por dois anos consecutivos. Se ambos os resultados forem normais, o intervalo entre os exames passa a ser de três anos.
Nesta faixa etária, a prevalência de infecção transitória por HPV e lesões de baixo grau que regridem espontaneamente é muito alta. O rastreio precoce aumenta o risco de colposcopias e biópsias desnecessárias (iatrogenia).
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