ASC-US e LSIL: Conduta no Rastreamento de Câncer de Colo de Útero

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 28 anos vem para acompanhamento após 6 meses de resultado de Papanicolaou com lesão intraepitelial escamosa de baixo grau. Refere ter sido vacinada com esquema completo contra HPV na adolescência. O resultado atual da citologia oncótica cérvico-vaginal revela atipia de células escamosas de significado indeterminado (ASC-US).Assinale a alternativa que apresenta recomendação correta de acordo com as diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero (2016).

Alternativas

  1. A) Como a paciente é menor de 30 anos, repetir a citologia em 12 meses.
  2. B) Como o segundo resultado de citologia é alterado, colposcopia com biópsia dirigida.
  3. C) Se disponível, genotipagem com DNA HPV para elucidar ASC US.
  4. D) Como a paciente é imunizada e menor do que 30 anos, manter acompanhamento anual.

Pérola Clínica

Mulher < 30 anos com ASC-US persistente ou LSIL → colposcopia com biópsia dirigida, mesmo vacinada.

Resumo-Chave

De acordo com as diretrizes brasileiras de 2016, em mulheres com menos de 30 anos, um resultado de ASC-US ou LSIL que persiste após 6 meses (ou um segundo resultado alterado) indica a necessidade de colposcopia com biópsia dirigida. A vacinação contra HPV não altera a conduta de rastreamento e acompanhamento de lesões já existentes.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer do colo do útero é uma estratégia de saúde pública fundamental para a detecção precoce de lesões pré-cancerígenas e cancerígenas. As diretrizes brasileiras (2016) estabelecem protocolos claros para a conduta frente a resultados de citologia oncótica cérvico-vaginal alterados, visando otimizar o diagnóstico e tratamento. É crucial que o residente compreenda essas diretrizes para um manejo adequado das pacientes. No caso de mulheres jovens (menores de 30 anos), a conduta para lesões de baixo grau como ASC-US (atipias de células escamosas de significado indeterminado) e LSIL (lesão intraepitelial escamosa de baixo grau) é mais conservadora inicialmente, devido à alta taxa de regressão espontânea. No entanto, a persistência dessas alterações exige investigação. Um segundo resultado alterado, mesmo que seja novamente ASC-US, após um LSIL prévio, indica a necessidade de aprofundamento diagnóstico. Nesse cenário, a colposcopia com biópsia dirigida é a próxima etapa para avaliar a extensão e a gravidade da lesão. A vacinação contra o HPV, embora protetora, não elimina a necessidade de rastreamento nem altera a conduta para lesões já detectadas, pois o objetivo é identificar e tratar as lesões antes que progridam para câncer invasivo. A genotipagem do HPV pode ser útil em alguns contextos, mas não substitui a colposcopia em casos de persistência de alterações citológicas significativas.

Perguntas Frequentes

Qual a recomendação para ASC-US em mulheres menores de 30 anos?

Para mulheres menores de 30 anos com ASC-US, a recomendação inicial é repetir a citologia em 12 meses. Se o segundo resultado for novamente ASC-US ou uma lesão de maior grau (como LSIL ou HSIL), a colposcopia com biópsia dirigida é indicada.

A vacinação contra HPV dispensa o rastreamento de câncer de colo de útero?

Não, a vacinação contra HPV não dispensa o rastreamento. Embora a vacina previna a maioria dos casos de câncer de colo de útero, ela não protege contra todos os tipos de HPV oncogênicos e não trata infecções ou lesões já existentes. O rastreamento citopatológico continua sendo fundamental.

Quando a colposcopia é indicada após um Papanicolaou alterado?

A colposcopia é indicada em casos de citologias com lesão intraepitelial de alto grau (HSIL), carcinoma escamoso invasor, adenocarcinoma, ou em persistência de lesões de baixo grau (ASC-US, LSIL) após o período de acompanhamento recomendado, especialmente se houver dois resultados alterados consecutivos.

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