UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025
Paciente de 37 anos, histerectomizada devido a história de tratamento para NIC II/III com margens livres, realizado há 3 meses. Procura o serviço de ginecologia para informações do seu seguimento. De acordo com as Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero a recomendação correta para a paciente é:
Pós-histerectomia por NIC II/III com margens livres → rastreamento citopatológico em 6 e 12 meses.
Após histerectomia por NIC II/III com margens livres, o rastreamento citopatológico não é suspenso imediatamente. É crucial realizar exames em 6 e 12 meses para monitorar a cúpula vaginal, devido ao risco de recorrência ou persistência da lesão na vagina, mesmo com margens livres.
O rastreamento do câncer do colo do útero é fundamental para a detecção precoce de lesões pré-cancerígenas e cancerígenas. Em pacientes com Neoplasia Intraepitelial Cervical de alto grau (NIC II/III) que foram submetidas à histerectomia, o seguimento pós-operatório é uma etapa crucial, mesmo quando as margens cirúrgicas são livres de doença. A histerectomia, embora remova o útero e o colo, não elimina completamente o risco de desenvolvimento de lesões na cúpula vaginal (neoplasia intraepitelial vaginal - NIV), que compartilha a mesma origem embriológica. As diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero enfatizam a importância de um protocolo de seguimento específico para essas pacientes. A recomendação é iniciar o rastreamento citopatológico da cúpula vaginal em 6 e 12 meses após a histerectomia. Se ambos os exames forem negativos para atipias, o intervalo entre as coletas pode ser gradualmente estendido. Este acompanhamento visa identificar precocemente qualquer recidiva ou nova lesão na vagina, permitindo intervenção oportuna e melhorando o prognóstico. É um erro comum, e potencialmente perigoso, assumir que a histerectomia por NIC II/III com margens livres dispensa a necessidade de rastreamento futuro. A persistência do vírus HPV, principal agente etiológico, e a possibilidade de lesões multicêntricas no trato genital inferior justificam a vigilância contínua. Residentes devem estar cientes dessas diretrizes para garantir um manejo adequado e seguro de suas pacientes, prevenindo a progressão de lesões e melhorando os desfechos de saúde.
O rastreamento citopatológico pode ser suspenso após histerectomia total por doença benigna, desde que não haja histórico de lesão de alto grau no colo do útero ou câncer. No entanto, se a histerectomia foi por NIC II/III, o rastreamento deve continuar na cúpula vaginal.
Para pacientes histerectomizadas por NIC II/III com margens livres, a recomendação é realizar exame citopatológico da cúpula vaginal inicialmente em 6 e 12 meses após a cirurgia. Se ambos os exames forem negativos para atipias, o rastreamento pode ser espaçado para anualmente e, posteriormente, a cada 3 anos, conforme as diretrizes.
O rastreamento continua porque existe um risco, embora menor, de persistência ou recorrência da lesão na cúpula vaginal (neoplasia intraepitelial vaginal - NIV). As células displásicas podem estar presentes em outras áreas do trato genital inferior, e a vigilância é crucial para detectar precocemente qualquer alteração.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo