LIEBG em HIV+: Conduta e Rastreamento de Câncer Cervical

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 32 anos, G1P1, usuária de implante de etonogestrel, vivendo com HIV há 5 anos em uso de terapia antirretroviral com carga viral abaixo do limite de detecção e contagem de linfócitos TCD4 de 350 células/mm³. Resultado da colpocitologia coletada há 1 mês: amostra satisfatória, epitélio escamoso glandular e células compatíveis com lesão intraepitelial de baixo grau.De acordo com as Diretrizes Brasileiras do Instituto Nacional do Câncer (2016), qual melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Realizar colposcopia imediatamente.
  2. B) Coletar biologia molecular.
  3. C) Repetir a citologia em seis meses.
  4. D) Realizar tratamento excisional.

Pérola Clínica

LIEBG em HIV+ → Colposcopia imediata, devido ao maior risco de progressão da doença.

Resumo-Chave

Pacientes vivendo com HIV têm maior risco de infecção persistente por HPV e progressão de lesões cervicais. Por isso, as diretrizes brasileiras recomendam uma conduta mais agressiva, com colposcopia imediata para lesões de baixo grau (LIEBG), diferente da conduta em pacientes HIV negativas.

Contexto Educacional

O rastreamento e manejo das lesões pré-cancerígenas do colo uterino em mulheres vivendo com HIV representam um desafio clínico significativo, dada a maior prevalência e persistência da infecção por HPV, bem como a maior taxa de progressão para lesões de alto grau e câncer invasivo nesta população. A imunossupressão induzida pelo HIV compromete a resposta imune contra o HPV, tornando essas pacientes mais vulneráveis. As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero do Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2016) estabelecem condutas específicas e mais rigorosas para mulheres HIV-positivas. Enquanto em mulheres HIV-negativas, um resultado de Lesão Intraepitelial de Baixo Grau (LIEBG) pode ser acompanhado com repetição da citologia em 6 meses, em pacientes HIV-positivas, a presença de LIEBG (ou mesmo ASC-US) demanda uma colposcopia imediata. Essa abordagem mais agressiva visa identificar precocemente lesões que podem progredir rapidamente. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam atualizados com essas diretrizes para garantir o manejo adequado, a prevenção secundária e a redução da morbimortalidade por câncer de colo uterino em mulheres vivendo com HIV. A adesão à terapia antirretroviral (TARV) e o controle da carga viral e CD4 são importantes, mas não eliminam a necessidade de vigilância cervical intensificada.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença na conduta de LIEBG entre pacientes HIV-positivas e HIV-negativas?

Em pacientes HIV-negativas, o LIEBG pode ser acompanhado com repetição da citologia em 6 meses. Em contraste, para pacientes HIV-positivas, a presença de LIEBG exige colposcopia imediata devido ao maior risco de persistência e progressão da lesão.

Por que pacientes HIV-positivas têm maior risco de lesões cervicais e câncer de colo uterino?

A imunossupressão causada pelo HIV compromete a capacidade do sistema imune de eliminar o HPV, levando a infecções persistentes e maior risco de progressão das lesões pré-cancerígenas para câncer invasivo.

Quando é indicada a biologia molecular para HPV no rastreamento cervical em pacientes HIV-positivas?

O teste de biologia molecular para HPV pode ser utilizado em algumas situações específicas, mas após um resultado de LIEBG em paciente HIV-positiva, a prioridade é a avaliação colposcópica para identificar e tratar lesões de alto grau.

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