HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2020
Paciente de 32 anos, hígida, cesária prévia, vem pra rotina ginecológica em seu consultório. A mesma refere não realizar exames há 2 anos e quer realizar exames. O exame físico foi normal. Qual dos exames abaixo não está indicado?
Papanicolau de rotina: a cada 3 anos após 2 exames anuais normais, entre 25-64 anos.
Para uma mulher de 32 anos com rastreamento regular e último Papanicolau normal há 2 anos, a próxima coleta seria em 1 ano (totalizando 3 anos de intervalo). Portanto, aos 32 anos, a colpocitologia oncótica não estaria indicada neste momento. A mamografia de rastreamento também não é indicada antes dos 40 anos.
O rastreamento ginecológico é um pilar fundamental na saúde da mulher, visando a detecção precoce de condições pré-malignas e malignas, principalmente do colo uterino e da mama. A importância clínica reside na redução da morbimortalidade por câncer, permitindo intervenções mais eficazes em estágios iniciais. As diretrizes de rastreamento são baseadas em evidências para otimizar a relação custo-benefício e evitar exames desnecessários. A fisiopatologia do câncer de colo uterino está intimamente ligada à infecção persistente pelo HPV, detectada pela colpocitologia oncótica (Papanicolau). O câncer de mama, por sua vez, tem etiologia multifatorial, e a mamografia é a principal ferramenta de rastreamento. O diagnóstico precoce é crucial, mas a idade de início e a periodicidade dos exames devem seguir as recomendações oficiais para evitar falsos positivos e ansiedade desnecessária, além de otimizar os recursos de saúde. O tratamento das lesões pré-malignas e malignas detectadas pelo rastreamento varia conforme o tipo e estágio. No contexto da rotina ginecológica, é essencial que o profissional de saúde conheça as diretrizes atualizadas para cada exame. Para o Papanicolau, a periodicidade trienal após dois exames anuais normais é a regra. Para a mamografia, o rastreamento inicia-se geralmente após os 40 anos (sociedades médicas) ou 50 anos (Ministério da Saúde), sendo a ultrassonografia de mamas um exame complementar e não substitutivo.
No Brasil, o rastreamento do câncer de colo uterino com Papanicolau é recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram atividade sexual. Após dois exames anuais consecutivos normais, a periodicidade passa a ser trienal.
As diretrizes do Ministério da Saúde recomendam a mamografia de rastreamento bienal para mulheres entre 50 e 69 anos. Sociedades médicas, como a FEBRASGO, sugerem o início anual a partir dos 40 anos, mas não antes dos 35-40 anos para rastreamento de rotina.
Não, a ultrassonografia de mamas é um método complementar à mamografia, especialmente útil para avaliar mamas densas em mulheres jovens ou para caracterizar achados mamográficos. Não é indicada como método isolado de rastreamento para câncer de mama.
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