Rastreamento em Mulheres Jovens: Papanicolaou e Limites

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 32 anos de idade, em consulta de promoção de saúde. Sem queixas espontâneas, relata vida sexual ativa e hábitos de vida saudáveis. Tia paterna falecida pela doença aos 60 anos de idade, por câncer de mama. Pai e mãe diabéticos e hipertensos. O pai sofreu infarto agudo do miocárdio aos 58 anos de idade. Ao exame clínico: BEG, frequência cardíaca = 80 batimentos/minuto, pressão arterial = 110 x 80 mmHg, peso = 56kg e altura = 1,63m. Circunferência abdominal = 78cm. Sem outra anormalidade. Sobre a realização de exames de rastreamento para esta paciente, pode-se afirmar que estão indicados:

Alternativas

  1. A) Glicemia de jejum, perfil lipídico, hemograma, hormônio tireoidiano, além da realização de colpocitologia oncótica (exame de Papanicolaou e ultrassonografia de mamas para rastreamento de câncer de mama, considerando antecedentes familiares clinicamente relevantes.
  2. B) Glicemia de jejum e perfil lipídico, além da realização de colpocitologia oncótica (exame de Papanicolaou e ultrassonografia das mamas para rastreamento de câncer de mama, considerando antecedentes familiares clinicamente relevantes.
  3. C) Colpocitologia oncótica (exame de Papanicolaou), considerando vida sexual ativa e ausência de evidência clínica de benefício de rastreamento de demais comorbidades para esta paciente, neste momento de sua vida.
  4. D) Glicemia de jejum e perfil lipídico, além da realização de colpocitologia oncótica (exame de Papanicolaou, ponderando vida sexual ativa e mamografia para rastreamento de câncer de mama, considerando antecedentes familiares clinicamente relevantes.
  5. E) Colpocitologia oncótica (exame de Papanicolaou, considerando vida sexual ativa), ultrassonografia transvaginal, mamografia digital bilateral, ultrassonografia de abdome total, ultrassonografia da tireoide, ecocardiograma transtorácico.

Pérola Clínica

Mulher 32a, vida sexual ativa: Papanicolaou indicado. Rastreamento de mama/cardiovascular não rotina nesta idade.

Resumo-Chave

Para uma mulher de 32 anos com vida sexual ativa, o rastreamento primário indicado é a colpocitologia oncótica (Papanicolaou). Apesar dos antecedentes familiares, a idade não justifica rastreamento de câncer de mama ou doenças cardiovasculares de rotina, que teriam início mais tardio.

Contexto Educacional

A consulta de promoção de saúde é uma oportunidade crucial para avaliar riscos e indicar rastreamentos apropriados para cada faixa etária e perfil individual. No caso de uma mulher de 32 anos com vida sexual ativa, a colpocitologia oncótica (exame de Papanicolaou) é o rastreamento primário e mais importante a ser considerado, visando a detecção precoce de lesões pré-cancerígenas ou câncer de colo uterino. As diretrizes brasileiras recomendam o início do Papanicolaou a partir dos 25 anos para mulheres com vida sexual ativa. Em relação ao câncer de mama, embora haja um histórico familiar (tia paterna falecida aos 60 anos), a idade de 32 anos geralmente não justifica o rastreamento mamográfico de rotina. As diretrizes para rastreamento populacional iniciam a mamografia aos 40 ou 50 anos, dependendo da sociedade médica. Em casos de alto risco (mutações genéticas conhecidas, múltiplos casos em parentes de primeiro grau em idade jovem), o rastreamento pode ser antecipado, mas a ultrassonografia de mamas não é um método de rastreamento primário para câncer de mama, sendo complementar à mamografia. Quanto às doenças cardiovasculares, apesar dos pais serem diabéticos e hipertensos e o pai ter sofrido IAM aos 58 anos, a paciente apresenta um perfil clínico favorável (PA 110x80 mmHg, IMC 21,1 kg/m², circunferência abdominal 78cm) e idade jovem. O rastreamento de rotina com glicemia de jejum e perfil lipídico para doenças cardiovasculares geralmente é iniciado em idades mais avançadas ou na presença de fatores de risco mais evidentes. Neste momento, a promoção de hábitos saudáveis e a avaliação clínica periódica são mais prioritárias do que exames laboratoriais de rastreamento para essas comorbidades.

Perguntas Frequentes

Qual a idade recomendada para iniciar o rastreamento de câncer de colo uterino?

O rastreamento de câncer de colo uterino com Papanicolaou geralmente é recomendado para mulheres a partir dos 25 anos que já iniciaram a vida sexual, com periodicidade de 3 em 3 anos após dois exames anuais normais.

Quando o rastreamento de câncer de mama é indicado para mulheres com histórico familiar?

Para mulheres com histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau, o rastreamento pode ser iniciado 10 anos antes da idade do parente mais jovem afetado, mas nunca antes dos 30 anos, e geralmente com mamografia, não apenas ultrassonografia. A ultrassonografia é complementar.

Quais exames de rastreamento cardiovascular são indicados para uma mulher de 32 anos?

Para uma mulher de 32 anos sem fatores de risco adicionais além dos antecedentes familiares (que aumentam o risco, mas não justificam rastreamento precoce de rotina), exames como glicemia de jejum e perfil lipídico não são indicados como rastreamento de rotina, mas sim em caso de suspeita clínica ou a partir de idades mais avançadas.

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