UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Paciente feminina, 44 anos, casada, parceiro único, sem comorbidades, sem histórico familiar de doenças e sem vícios, realizou a última colpocitologia oncótica há 3 anos com resultado sem alterações. Retorna hoje para checar o exame de Papanicolaou coletado há 30 dias. O resultado do exame foi o seguinte:De acordo com as diretrizes atuais de rastreamento de câncer de colo uterino, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta.
Papanicolau alterado + suspeita Chlamydia → Doxiciclina (casal) + Colposcopia/biópsia + USG pélvico (se indicado).
Diante de um Papanicolau alterado que sugere lesão e/ou infecção por Chlamydia, a conduta correta envolve o tratamento da infecção (Doxiciclina para paciente e parceiro) e a investigação da lesão cervical (Colposcopia com biópsia), além de um ultrassom pélvico para avaliação complementar, se houver indicação clínica.
O rastreamento do câncer de colo uterino, realizado principalmente através da colpocitologia oncótica (Papanicolau), é uma das estratégias mais eficazes na prevenção e detecção precoce de lesões precursoras. Um resultado alterado no Papanicolau exige uma conduta cuidadosa e individualizada, que pode envolver desde a repetição do exame até procedimentos mais invasivos como a colposcopia com biópsia. A presença de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como a por Chlamydia trachomatis, pode coexistir com alterações citológicas e deve ser tratada simultaneamente. A Chlamydia trachomatis é uma das ISTs bacterianas mais comuns, frequentemente assintomática, mas que pode causar cervicite, doença inflamatória pélvica e infertilidade. Seu tratamento envolve antibióticos como a Doxiciclina ou Azitromicina, e é crucial que o parceiro sexual também seja tratado para evitar a reinfecção. A colposcopia é um exame que permite a visualização magnificada do colo uterino, vagina e vulva, sendo essencial para identificar lesões suspeitas e guiar a biópsia, que fornecerá o diagnóstico histopatológico definitivo. A conduta após um Papanicolau alterado deve seguir as diretrizes nacionais e internacionais, que estratificam o risco da paciente e orientam a necessidade de colposcopia, biópsia e/ou tratamento. O ultrassom pélvico, embora não seja rotineiro para todas as alterações de Papanicolau, pode ser solicitado para avaliar outras condições ginecológicas ou para estadiamento em casos de lesões mais avançadas. A abordagem integrada, tratando a infecção e investigando a lesão, é fundamental para a saúde da mulher e a prevenção de complicações.
O tratamento do parceiro é fundamental para evitar a reinfecção da paciente e interromper a cadeia de transmissão da Chlamydia trachomatis, uma infecção sexualmente transmissível comum que pode causar complicações graves em ambos os sexos, como doença inflamatória pélvica e infertilidade.
A colposcopia com biópsia é indicada para avaliar e diagnosticar lesões cervicais quando o Papanicolau apresenta alterações como ASC-US (se persistente ou HPV positivo), LSIL, HSIL, AGC ou carcinoma. Ela permite visualizar as áreas anormais e coletar amostras para histopatologia, confirmando o diagnóstico.
As diretrizes atuais recomendam o início do rastreamento com Papanicolau aos 25 anos para mulheres que já iniciaram atividade sexual, com periodicidade trienal após dois exames anuais normais. A partir dos 30 anos, o rastreamento pode incluir o teste de HPV de alto risco, dependendo da região e diretriz específica.
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