PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022
Paciente de 25 anos vem para consulta para iniciar o rastreamento de câncer de colo uterino. Nega queixas. Tem parceiro fixo e utiliza coito interrompido como método contraceptivo. Ao exame: Genitais externos normais. Especular com colo róseo, epitelizado, sem lesões.Foi realizada a coleta de material para o citopatológico. Quarenta dias após, a paciente retorna com o resultado do exame: AVALIAÇÃO PRÉ ANALÍTICA: AVALIAÇÃO DA AMOSTRA: SatisfatóriaEPITÉLIOS REPRESENTADOS NA AMOSTRA: Escamoso, Glandular, Metaplásico. REPRESENTATIVIDADE DA ZONA DE TRANSFORMAÇÃO: SimALTERAÇÕES CELULARES BENIGNAS REATIVAS OU REPARATIVAS: Inflamação. MICROBIOLOGIA: Lactobacillus sp. CONCLUSÃOCÉLULAS ATÍPICAS DE SIGNIFICADO INDETERMINADO: ESCAMOSAS: Possivelmente não neoplásicas (ASC-US)Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com as Diretrizes Brasileiras de Rastreamento de câncer de colo uterino (2016).
ASC-US em ≥ 30 anos → repetir 6 meses; ASC-US em 25-29 anos → repetir 12 meses.
Para pacientes de 25 a 29 anos com resultado ASC-US, a conduta é repetir o citopatológico em 12 meses devido à alta taxa de regressão espontânea.
O rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil segue as diretrizes do INCA (2016). O achado de ASC-US (Células Escamosas Atípicas de Significado Indeterminado, possivelmente não neoplásicas) é a alteração citológica mais comum e possui baixo risco de câncer invasivo imediato. A estratégia de manejo visa evitar sobretratamento e procedimentos invasivos desnecessários (como colposcopias e biópsias) em mulheres jovens, onde a regressão espontânea é a regra. É fundamental que o médico de família ou ginecologista saiba estratificar a paciente pela idade: 25-29 anos repetem em 1 ano; ≥ 30 anos repetem em 6 meses. O seguimento correto garante a detecção de persistência de atipias sem causar iatrogenia.
Segundo as diretrizes brasileiras, o rastreamento deve iniciar apenas aos 25 anos. Se realizado antes e resultar em ASC-US, a recomendação é retornar ao rastreio citológico de rotina aos 25 anos, a menos que haja suspeita clínica de malignidade, evitando intervenções desnecessárias em adolescentes.
Mulheres mais jovens (25-29 anos) têm maior prevalência de infecções transitórias pelo HPV e alta taxa de regressão de lesões de baixo grau. Por isso, aguarda-se 12 meses. Em mulheres ≥ 30 anos, a persistência viral é mais provável, justificando a repetição em 6 meses para maior segurança diagnóstica.
O encaminhamento para colposcopia é indicado após dois resultados consecutivos de ASC-US (na repetição de 6 ou 12 meses, conforme a idade) ou se houver um resultado de maior gravidade (como ASC-H, AGC ou lesão de alto grau) em qualquer momento do seguimento.
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