UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Paciente mulher, 32 anos, parceiro fixo há 10 anos, retorna ao consultório para checar resultado de colpocitologia oncótica colhida há 30 dias. Nega comorbidades, vícios ou queixas ginecológicas. Refere ter realizado exame de Papanicolaou no ano de 2021, sendo que este não apresentou alterações. Analise o resultado do exame abaixo e identifique a conduta adequada conforme o protocolo do Ministério da Saúde:RESULTADO- Amostra satisfatória.- Microbiologia: bacilos supracitoplasmáticos (sugestivos de Gardnerella/Mobiluncus).- Ausência de atipias.
Papanicolaou normal + bacilos sugestivos de Gardnerella/Mobiluncus → repetir em 3 anos (MS).
O achado de bacilos sugestivos de Gardnerella/Mobiluncus (indicativos de vaginose bacteriana) em um Papanicolaou sem atipias não altera a periodicidade do rastreamento do câncer de colo uterino. A conduta para o rastreamento deve seguir o protocolo do Ministério da Saúde para exames normais, que é a repetição em 3 anos após dois exames anuais normais.
O rastreamento do câncer de colo uterino é uma das estratégias de saúde pública mais eficazes, e o exame de Papanicolaou é a principal ferramenta. No Brasil, o Ministério da Saúde estabelece diretrizes claras para a periodicidade do exame, visando a detecção precoce de lesões precursoras e a otimização dos recursos. A compreensão dessas diretrizes é fundamental para a prática clínica. Para mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram a vida sexual, a recomendação é realizar dois exames anuais consecutivos. Se ambos forem negativos, a periodicidade passa a ser trienal. A presença de alterações microbiológicas, como bacilos sugestivos de Gardnerella/Mobiluncus, é um achado comum e, na ausência de atipias celulares, não indica risco oncológico e, portanto, não altera a rotina de rastreamento. É importante diferenciar o rastreamento oncológico da investigação de queixas ginecológicas. Se a paciente apresentar sintomas de vaginose bacteriana (corrimento, odor), o tratamento pode ser indicado. No entanto, o Papanicolaou, por si só, não é um exame para diagnosticar ou tratar infecções, mas sim para rastrear lesões pré-malignas e malignas do colo uterino.
Para mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram a vida sexual, o Ministério da Saúde recomenda dois exames anuais consecutivos. Se ambos forem negativos, a periodicidade passa a ser trienal, ou seja, a cada 3 anos.
A presença de Gardnerella (sugestiva de vaginose bacteriana) no Papanicolaou, na ausência de atipias celulares, não exige tratamento imediato se a paciente for assintomática. O Papanicolaou é um exame de rastreamento oncológico, não para infecções.
A vaginose bacteriana pode interferir na interpretação do Papanicolaou se houver intensa inflamação ou citólise que comprometa a qualidade da amostra, tornando-a insatisfatória. No entanto, achados microbiológicos isolados sem atipias geralmente não impedem a avaliação oncológica.
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