Rastreamento de Câncer de Colo Uterino e Conduta na APS

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 36 anos de idade, comparece a consulta médica em uma Unidade Básica de Saúde. No início da consulta, ela solicita a sua médica uma ultrassonografia transvaginal para investigar câncer de colo uterino e afirma que não sairá da consulta sem o pedido deste exame. Ao verificar rapidamente a lista de problemas desta paciente, a médica observa que ela não possui comorbidades clínicas. Faz uso de medroxiprogesterona 150mg/mL intramuscular a cada 3 meses há 2 anos (última aplicação há 108 dias). Sua última colpocitologia oncótica foi em 2023. Qual é a conduta clínica correta diante da preocupação da paciente com câncer de colo uterino, considerando os dados clínicos e as recomendações do Ministério da Saúde brasileiro?

Alternativas

  1. A) Solicitar ultrassonografia transvaginal para descartar qualquer possibilidade de lesão oculta no útero ou nos ovários, dado o histórico de preocupação da paciente.
  2. B) Recomendar que a paciente realize a coleta de nova colpocitologia oncótica, pois está em atraso de acordo com as recomendações de rastreamento para a idade.
  3. C) Solicitar colpocitologia oncótica e colposcopia com biópsia, considerando que a preocupação da paciente pode estar relacionada a uma possível lesão que ela preferiu não mencionar durante a consulta.
  4. D) Recomendar que a paciente retorne para nova coleta em um ano, caso as duas últimas colpocitologias tenham apresentado resultado normal.

Pérola Clínica

Rastreio de CA de colo uterino = Citopatologia; USG não avalia epitélio cervical nem substitui o preventivo.

Resumo-Chave

O rastreamento do câncer de colo do útero no Brasil é realizado via citopatologia (Papanicolau). A ultrassonografia transvaginal avalia anexos e endométrio, não sendo método de rastreio para lesões cervicais.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer do colo do útero é uma das estratégias mais bem-sucedidas em saúde pública quando aplicada corretamente. No Brasil, o método de escolha é a citopatologia oncótica. A questão aborda um cenário comum na Atenção Primária: a pressão da paciente por exames de imagem (ultrassonografia) para um rastreio onde eles não têm evidência. A paciente em questão tem 36 anos e realizou o último exame em 2023. Se os anteriores foram normais, ela estaria tecnicamente protegida até 2026. No entanto, a gestão de expectativas e a autonomia do paciente são testadas. Embora o gabarito aponte para a solicitação (possivelmente refletindo uma visão de redução de danos na relação médico-paciente ou protocolo específico de unidade), clinicamente, a educação em saúde sobre a ineficácia da USG para este fim é o pilar da boa prática.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação real da ultrassonografia transvaginal no rastreio oncológico?

A ultrassonografia transvaginal não é indicada para o rastreamento de rotina do câncer de colo do útero. Sua utilidade principal no contexto oncológico ginecológico reside na avaliação de espessamento endometrial em mulheres na pós-menopausa com sangramento uterino anormal ou na investigação de massas anexiais suspeitas para câncer de ovário. Para o colo do útero, a visualização por imagem é limitada, sendo a inspeção visual com espéculo e a coleta de células do canal e ectocolo os métodos preconizados para identificar lesões precursoras ou neoplasias em estágios iniciais.

Quais são as diretrizes brasileiras para a periodicidade do Papanicolau?

Segundo o Ministério da Saúde e o INCA, o rastreamento deve ser oferecido a mulheres e pessoas com útero na faixa etária de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. A periodicidade inicial é anual; após dois exames consecutivos com resultados normais (dentro de um intervalo de um ano), a coleta passa a ser realizada a cada três anos. O objetivo dessa estratégia é identificar lesões precursoras (NIC II e III) que possuem um tempo de progressão lento, permitindo intervenções eficazes antes da evolução para carcinoma invasor.

Como manejar a solicitação de exames desnecessários pela paciente?

O manejo envolve a aplicação da Medicina Centrada na Pessoa e da Prevenção Quaternária. O médico deve acolher a preocupação da paciente, explorar seus medos (como o receio de câncer) e explicar didaticamente por que determinados exames, como a ultrassonografia, não são eficazes para o fim desejado. Deve-se reforçar a eficácia do Papanicolau e os riscos de exames desnecessários, como achados incidentais sem relevância clínica que levam a procedimentos invasivos iatrogênicos. A decisão compartilhada é fundamental, mas deve ser pautada na evidência científica e na segurança do paciente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo