UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Mulher, 23a, procura o Unidade Básica de Saúde para consulta ginecológica de rotina, refere vida sexual ativa há 10 meses. Antecedente pessoal: transplante renal, em terapia imunossupressora. A ORIENTAÇÃO EM RELAÇÃO À PREVENÇÃO DE CÂNCER DE COLO UTERINO É:
Paciente imunossuprimida (transplantada) → rastreamento CCU precoce e intensificado + vacina HPV (3 doses).
Pacientes imunossuprimidas, como as transplantadas renais em terapia imunossupressora, têm risco aumentado de infecção persistente por HPV e de progressão para lesões pré-cancerígenas e câncer de colo uterino. Por isso, o rastreamento citológico deve ser iniciado mais cedo e com maior frequência, e a vacinação contra o HPV é fortemente recomendada, geralmente com esquema de 3 doses.
A prevenção do câncer de colo uterino é um pilar fundamental da saúde da mulher, e as diretrizes de rastreamento e vacinação são cruciais. No entanto, para populações especiais, como pacientes imunossuprimidas (ex: transplantadas renais em terapia imunossupressora), essas diretrizes precisam ser adaptadas devido ao risco significativamente aumentado de infecção persistente por HPV e de progressão para lesões de alto grau e câncer invasivo. A importância clínica reside em identificar e manejar precocemente esses riscos. A fisiopatologia do aumento do risco em imunossuprimidas está ligada à falha do sistema imune em eliminar o vírus HPV, permitindo sua persistência e a subsequente transformação maligna das células cervicais. O diagnóstico precoce é feito através de um rastreamento citológico (Papanicolau) mais intensivo. Para a paciente de 23 anos, transplantada e imunossuprimida, o rastreamento deve ser iniciado imediatamente, independentemente da idade padrão de 25 anos para a população geral, e com intervalos mais curtos, como semestral no primeiro ano, devido ao alto risco. A vacinação contra o HPV é fortemente recomendada para pacientes imunossuprimidas, mesmo que já tenham iniciado a vida sexual, pois a vacina protege contra novos tipos de HPV e pode ter um efeito terapêutico parcial. O esquema vacinal para essa população é geralmente de três doses (0, 3 e 12 meses), visando uma resposta imune mais robusta. O prognóstico para essas pacientes melhora drasticamente com a adesão a um programa de rastreamento e vacinação adaptado.
A imunossupressão compromete a capacidade do sistema imunológico de combater infecções virais, incluindo o HPV. Isso leva a uma maior persistência da infecção por HPV e a uma progressão mais rápida das lesões pré-cancerígenas para câncer invasivo.
Na população geral, o rastreamento citológico para câncer de colo uterino no Brasil é recomendado a partir dos 25 anos de idade para mulheres que já iniciaram atividade sexual.
Para pacientes imunossuprimidas, incluindo as transplantadas, o esquema de vacinação contra o HPV geralmente consiste em três doses (0, 1-2 e 6 meses ou 0, 3 e 12 meses, dependendo da vacina e diretriz), independentemente da idade de início da vacinação.
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