FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2017
"Padilha (Ministro da Saúde) chamou a atenção para o crescimento dos casos de câncer de cólon e reto, que hoje ocupa o segundo lugar no ranking dos tipos mais frequentes entre mulheres (atrás dos tumores de mama) e o terceiro entre homens (depois das neoplasias de próstata e de traqueia, brônquio e pulmão). Noronha atribui o aumento a vários fatores: obesidade, sedentarismo, envelhecimento e alimentação inadequada. Diante dos números, Padilha afirmou que um grupo deverá avaliar a possibilidade de se fazer o rastreamento desse tipo de câncer na população, a exemplo do que ja é feito com câncer de colo de útero. O coordenador do Inca contou que poucos países, como França e Noruega, adotam essa estratégia atualmente. No Brasil, exames mais simples, como o para identificação de câncer de colo de útero, apresenta sérias falhas de aplicação. Reportagem publicada pelo Estado neste mês mostra que, entre 2011 e 2012, o número de exames para diagnóstico de câncer de colo de útero caiu 4,6%. O Sistema Único de Saúde (SUS) também teve queda no número de mamografias no primeiro semestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2012. A queda vai na contramão do plano apresentado há mais de dois anos pela presidente Dilma Rousseff para prevenção dessas duas doenças." Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo, 27 Novembro 2013. Sobre o rastreamento de câncer no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, assinale a resposta INCORRETA:
MS NÃO recomenda rastreamento populacional de câncer de próstata com PSA/toque retal; mamografia e Papanicolau têm diretrizes específicas.
O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional do câncer de próstata devido à ausência de evidências de redução de mortalidade e aos riscos de sobrediagnóstico e sobretratamento. As diretrizes para câncer de mama e colo de útero são bem estabelecidas, com idades e frequências específicas.
O rastreamento de câncer é uma estratégia de saúde pública que visa identificar lesões precursoras ou cânceres em estágios iniciais em indivíduos assintomáticos, com o objetivo de reduzir a mortalidade e melhorar o prognóstico. No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) possui diretrizes específicas para os principais tipos de câncer, baseadas em evidências científicas de custo-efetividade e impacto na saúde da população. Para o câncer de mama, a mamografia é o método de rastreamento com eficácia comprovada na redução da mortalidade, sendo recomendada bienalmente para mulheres de 50 a 69 anos. Para o câncer de colo do útero, o exame citopatológico (Papanicolau) é o método padrão, com coleta inicial aos 25 anos para mulheres com vida sexual ativa e frequência trienal após dois exames anuais negativos, estendendo-se até os 64 anos. Essas estratégias são amplamente difundidas e fazem parte da rotina da Atenção Primária à Saúde. Em contraste, o rastreamento populacional do câncer de próstata, utilizando o PSA e o toque retal, não é recomendado pelo Ministério da Saúde. Essa posição se baseia na ausência de evidências robustas que demonstrem redução significativa da mortalidade por câncer de próstata em programas de rastreamento em massa, e nos potenciais danos associados, como sobrediagnóstico, sobretratamento e seus efeitos adversos (disfunção erétil, incontinência urinária). A decisão de rastrear deve ser individualizada e compartilhada com o paciente, considerando seus valores e preferências. Compreender essas diretrizes é fundamental para a prática clínica e para a aprovação em provas de residência.
O Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos. Para mulheres com múltiplos fatores de risco ou história familiar rica, protocolos de rastreamento individualizados podem ser considerados, iniciando antes ou com maior frequência.
O rastreamento do câncer de colo do útero é feito pelo exame citopatológico (Papanicolau). A coleta deve iniciar aos 25 anos para mulheres com atividade sexual e prosseguir até os 64 anos. Os dois primeiros exames devem ter intervalo anual e, se negativos, os próximos a cada 3 anos.
Não, o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional do câncer de próstata com PSA e toque retal. A decisão de rastrear deve ser individualizada e discutida entre médico e paciente, considerando riscos e benefícios, devido à falta de evidências de redução de mortalidade e aos riscos de sobrediagnóstico e sobretratamento.
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