Rastreamento de Câncer em Mulheres: Diretrizes Atuais

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

O médico de família e comunidade recebeu Cláudia, de 43 anos de idade, que foi a seu consultório por indicação de um amigo. Nega comorbidades, uso de medicamentos ou histórico familiar de doenças. Faz uso de álcool (um copo de caipirinha aos finais de semana), não fuma e pratica atividade física três vezes por semana. Nega doenças na família. Gostaria de fazer todos os exames que têm direito pelo plano e sempre teve o hábito de fazer exames anuais, mas os últimos foram há dois anos e estavam normais (Papanicolau, mamografia, ultrassonografia transvaginal e de tireoide e exame de sangue). Ao exame físico, sem alterações, pressão arterial de 108 x 72 mmHg e IMC de 28. Com base nessa situação hipotética, nas orientações de rastreamento do Ministério da Saúde e nas revisões do US Task Force, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas

  1. A) A mamografia não está indicada nesse momento para o rastreamento de câncer de mama em Cláudia.
  2. B) A ultrassonografia transvaginal está indicada como forma de rastreamento de câncer de ovário, com ou sem dosagem de CEA e CEA 125.
  3. C) O Papanicolau não está indicado para Cláudia nesse momento.
  4. D) O Papanicolau é contraindicado em pacientes com menos de 21 anos de idade sem histórico de HIV e(ou) aumento de risco para câncer cervical.
  5. E) A ultrassonografia de tireoide não está indicada para rastreamento de câncer de tireoide.

Pérola Clínica

Rastreamento câncer ovário com USG transvaginal e marcadores tumorais não é recomendado para mulheres assintomáticas de risco médio.

Resumo-Chave

Para mulheres de risco médio, a ultrassonografia transvaginal e a dosagem de marcadores tumorais (CEA, CA 125) não são indicadas para rastreamento de câncer de ovário, devido à baixa sensibilidade e especificidade e ao risco de falsos positivos que levam a procedimentos invasivos desnecessários.

Contexto Educacional

O rastreamento de câncer em adultos é uma prática fundamental na atenção primária à saúde, visando a detecção precoce de doenças para melhorar o prognóstico. As recomendações são baseadas em evidências científicas e diretrizes de órgãos como o Ministério da Saúde e o US Preventive Services Task Force (USPSTF), que ponderam os benefícios e malefícios de cada exame. Para o câncer de mama, a mamografia é o principal método de rastreamento, com recomendações de idade de início e frequência que podem variar. Para o câncer de colo de útero, o Papanicolau é altamente eficaz, mas sua indicação tem faixas etárias específicas e intervalos definidos. É crucial entender que o rastreamento não é universal para todos os tipos de câncer ou para todas as idades. É um erro comum pensar que 'mais exames' é sempre melhor. Para o câncer de ovário, por exemplo, a ultrassonografia transvaginal e marcadores tumorais como CEA e CA 125 não são recomendados para rastreamento em mulheres assintomáticas de risco médio, pois não demonstraram benefício na redução da mortalidade e podem gerar mais danos do que benefícios. Da mesma forma, o rastreamento de câncer de tireoide com ultrassonografia não é indicado para a população geral assintomática, devido à alta prevalência de nódulos benignos e ao risco de sobrediagnóstico e sobretratamento.

Perguntas Frequentes

Qual a recomendação atual para mamografia de rastreamento em mulheres de 43 anos?

As diretrizes variam, mas geralmente a mamografia de rastreamento é recomendada anualmente ou bienalmente a partir dos 40 ou 50 anos, dependendo do risco individual e da diretriz (ex: Ministério da Saúde a partir dos 50 anos, US Preventive Services Task Force a partir dos 40 ou 50). Para uma mulher de 43 anos, a indicação pode depender de fatores de risco adicionais.

Por que a ultrassonografia transvaginal não é indicada para rastreamento de câncer de ovário?

A ultrassonografia transvaginal (USTV) não é recomendada para rastreamento de câncer de ovário em mulheres assintomáticas de risco médio devido à sua baixa sensibilidade e especificidade para detectar a doença em estágios iniciais, além de um alto índice de falsos positivos que podem levar a cirurgias desnecessárias e suas complicações.

Quando o exame de Papanicolau é contraindicado ou não indicado?

O Papanicolau não é indicado para rastreamento em mulheres com menos de 21 anos, independentemente do início da atividade sexual, e em mulheres acima de 65 anos com histórico de exames normais. Também não é recomendado anualmente, com intervalos maiores sendo preferidos (ex: a cada 3 anos) após os 21 anos.

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