UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2023
Detectar e tratar precocemente câncer em pessoas assintomáticas, justifica-se apenas quando os potenciais benefícios são favoravelmente cotejados contra os potenciais danos. Analise as assertivas abaixo sobre o rastreamento do câncer em adultos:I. Risco intrínseco do teste de rastreamento (p. ex.: perfuração do cólon em colonoscopia).II. Risco de resultados falso-positivos com procedimentos subsequentes, progressivamente mais invasivos, e seus custos associados (p. ex.: o risco de ter um resultado falso-positivo após 10 anos de rastreamento bianual de câncer de mama é >25%).III. Diagnósticos excessivos que acontecem quando o câncer é diagnosticado na sua fase pré-clínica, mas nunca evoluiria para uma fase clínica ou afetaria a qualidade e a expectativa de vida do indivíduo (p. ex.: no caso de uma proporção dos cânceres de próstata diagnosticados na sua fase pré-clínica). Quais são possíveis danos?
Rastreamento de câncer: benefícios > danos, considerando riscos do teste, falso-positivos e sobrediagnóstico.
O rastreamento de câncer, embora vital para a detecção precoce, não é isento de riscos. É crucial ponderar os potenciais benefícios contra os danos, que incluem os riscos inerentes ao procedimento (como perfuração na colonoscopia), as consequências de resultados falso-positivos (ansiedade, exames invasivos desnecessários) e o sobrediagnóstico, onde lesões indolentes são tratadas sem benefício real ao paciente.
O rastreamento de câncer é uma estratégia de saúde pública que visa detectar precocemente a doença em indivíduos assintomáticos, com o objetivo de reduzir a mortalidade e a morbidade. No entanto, a decisão de implementar um programa de rastreamento deve ser cuidadosamente ponderada, considerando que os potenciais benefícios (detecção precoce, melhor prognóstico) devem superar os potenciais danos. A medicina baseada em evidências enfatiza a importância de avaliar criticamente a relação risco-benefício de cada teste de rastreamento. Os danos associados ao rastreamento são multifacetados. Primeiramente, existem os riscos intrínsecos do próprio procedimento diagnóstico, como a perfuração intestinal na colonoscopia para rastreamento de câncer colorretal. Em segundo lugar, os resultados falso-positivos são uma preocupação significativa; eles podem gerar ansiedade considerável no paciente, levar a procedimentos diagnósticos subsequentes mais invasivos (biópsias, cirurgias) e seus riscos associados, além de custos elevados para o sistema de saúde. Por exemplo, o rastreamento mamográfico bianual pode resultar em mais de 25% de falso-positivos ao longo de 10 anos. Um terceiro dano crucial é o sobrediagnóstico, que ocorre quando um câncer é detectado e tratado, mas ele nunca teria evoluído para causar sintomas ou afetar a qualidade e expectativa de vida do indivíduo. Isso é particularmente relevante em cânceres de crescimento lento, como alguns de próstata e tireoide, onde o tratamento de lesões indolentes expõe o paciente a efeitos adversos desnecessários da terapia (cirurgia, radioterapia, quimioterapia), sem um benefício real na sobrevida. A compreensão desses danos é essencial para uma prática médica ética e informada.
Os principais danos incluem os riscos intrínsecos do teste (ex: perfuração em colonoscopia), o risco de resultados falso-positivos que levam a investigações invasivas e ansiedade, e o sobrediagnóstico de cânceres indolentes que nunca causariam problemas clínicos.
Sobrediagnóstico ocorre quando um câncer é detectado e tratado, mas ele nunca teria progredido para causar sintomas, morbidade ou mortalidade durante a vida do paciente, resultando em tratamento desnecessário e seus efeitos adversos.
Resultados falso-positivos causam ansiedade significativa ao paciente, levam a exames complementares mais invasivos e caros (biópsias, cirurgias) que podem ter complicações, e sobrecarregam o sistema de saúde.
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