UFSM/HUSM - Hospital Universitário de Santa Maria (RS) — Prova 2016
Segundo Stein, Zelmanowicz e Falavigna (2013), o rastreamento, também chamado de rastreio ou screening, pode ser definido como um processo que identifica pessoas aparentemente saudáveis, mas que poderiam apresentar maior risco de desenvolver uma doença ou maior probabilidade de ter uma determinada condição clínica; as quais, uma vez identificadas, se confirmadas com segurança, deveriam receber um tratamento capaz de reduzir o risco e/ou complicação da doença em questão. Com relação ao rastreamento de indivíduos assintomáticos, responda à questão seguinte. De acordo com as diretrizes de rastreamento no contexto da Atenção Primária em Saúde no Brasil, publicadas pelo Ministério da Saúde (Cadernos de Atenção Primária – número 29 – Rastreamento), avalie as opções a seguir:I – Rastreamento para obesidade, através da aferição de peso e altura e cálculo do índice de massa corporal (IMC).II – Rastreamento para hipertensão arterial sistêmica, através da aferição dos níveis de pressão arterial com esfigmomanômetro.III – Rastreamento para desordens hematológicas, incluindo anemia ferropriva, através da solicitação de hemograma completo.IV – Rastreamento para desordens lipídicas, incluindo hipercolesterolemia, através da solicitação do perfil lipídico sanguíneo (em jejum de 12 horas).V – Rastreamento para tabagismo, através da anamnese (abordar o assunto, aconselhar a parar, verificar motivação para cessar e acompanhar o caso).São recomendações de rastreamento para a população em geral na faixa etária entre 45 e 55 anos de idade:
Rastreio populacional (45-55a) → IMC, PA, Perfil Lipídico e Tabagismo; Hemograma NÃO é rotina.
O rastreamento na APS foca em condições de alto impacto e com intervenções eficazes, evitando exames desnecessários como o hemograma para assintomáticos.
O rastreamento (screening) é uma ferramenta de prevenção secundária que visa detectar doenças em indivíduos assintomáticos. No Brasil, o Ministério da Saúde, através do Caderno de Atenção Básica nº 29, estabelece diretrizes baseadas em evidências para evitar o excesso de diagnósticos e intervenções (overdiagnosis e overtreatment). Para a faixa etária de 45 a 55 anos, as prioridades são as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). A aferição da PA e do IMC são fundamentais para estratificação de risco cardiovascular. O perfil lipídico é essencial para guiar a terapia com estatinas, e a abordagem do tabagismo é a intervenção com melhor custo-benefício na redução de mortalidade.
O hemograma completo não é recomendado como teste de rastreamento para a população geral assintomática porque carece de sensibilidade e especificidade para detectar doenças ocultas de forma custo-efetiva. A prevalência de anemias ou desordens hematológicas graves em indivíduos saudáveis sem queixas é baixa, e achados incidentais podem levar a investigações invasivas e desnecessárias (prevenção quaternária). O foco deve ser em condições com forte evidência de benefício no diagnóstico precoce, como HAS e DM.
Para que um rastreamento seja justificado, a doença deve ser um problema de saúde importante, ter um estágio latente identificável e um tratamento eficaz disponível. O teste deve ser aceitável pela população, seguro e ter boa acurácia. Além disso, o custo do rastreamento deve ser equilibrado em relação aos gastos totais com saúde. No Brasil, o Caderno 29 da APS utiliza esses critérios para definir o que deve ser feito na rotina das Unidades Básicas de Saúde.
O rastreamento do tabagismo deve ser realizado em todas as consultas através da anamnese. O profissional deve perguntar sobre o uso de tabaco, aconselhar a cessação de forma clara e personalizada, avaliar a motivação do paciente para parar (estágios de Prochaska e DiClemente) e oferecer suporte terapêutico (farmacológico ou não) e acompanhamento. Não se trata de um exame complementar, mas de uma intervenção clínica sistemática.
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