Rastreamento de Saúde na Mulher Adulta: O que solicitar?

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher cisgênero, de 34 anos, procura atendimento em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) do seu bairro, com seu médico de família, pois uma amiga descobriu recentemente um "câncer no útero". Chega em consulta solicitando diversos exames para investigação de câncer, pois está muito preocupada que possa ter algum problema grave de saúde, uma vez que não passa por qualquer avaliação há mais de 5 anos. Não tem comorbidades, é tabagista de 1 maço ao dia desde os 20 anos e tem IMC de 30,5 kg/m². Considerando as recomendações baseadas em evidências científicas assinale a alternativa que incorpore as investigações e exames corretamente indicados para a paciente:

Alternativas

  1. A) Tomografia de tórax de baixa dose; coleta de citopatologia oncótica; coleta de sorologia para HIV e sífilis.
  2. B) Coleta de citopatologia oncótica; aferição de pressão arterial; avaliação de perfil lipídico; avaliação de glicemia de jejum; coleta de sorologia para HIV e sífilis.
  3. C) Coleta de citopatologia oncótica; aferição de pressão arterial; avaliação de perfil lipídico; avaliação de glicemia de jejum; mamografia.
  4. D) Aferição de pressão arterial; coleta de citopatologia oncótica; solicitação de ultrassonografia transvaginal; coleta de sorologia para HIV e sífilis.

Pérola Clínica

Rastreamento 34 anos: Pap smear (25-64), PA, Glicemia/Lípides (se risco/IMC), Sorologias (ISTs).

Resumo-Chave

O rastreamento em adultos deve ser focado em condições de alta prevalência e impacto, como câncer de colo uterino, doenças cardiovasculares e infecções sexualmente transmissíveis.

Contexto Educacional

O rastreamento (screening) é a aplicação de testes em pessoas assintomáticas com o objetivo de classificar a probabilidade de terem uma doença. Na Atenção Primária, o médico deve seguir recomendações baseadas em evidências (como as do Ministério da Saúde ou da USPSTF) para evitar o sobrediagnóstico e o sobretratamento (prevenção quaternária). Para a paciente do caso, a preocupação com o 'câncer no útero' é sanada com a coleta do citopatológico. Além disso, a consulta é uma oportunidade para intervenções preventivas cardiovasculares, dado o tabagismo e a obesidade, e para o rastreamento de ISTs, que é fundamental na saúde do adulto jovem. Exames como tomografia de tórax ou mamografia não possuem evidência de benefício para rastreamento nesta idade e perfil de risco.

Perguntas Frequentes

Quais exames de rastreamento de câncer são indicados para uma mulher de 34 anos?

O principal rastreamento oncológico indicado é a citopatologia oncótica (Papanicolau) para prevenção do câncer de colo do útero, recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram atividade sexual. Não há indicação de rastreamento de rotina para câncer de mama (mamografia) ou ovário (USG TV) nesta faixa etária para pacientes de risco padrão.

Por que solicitar perfil lipídico e glicemia para esta paciente?

Embora jovem, a paciente apresenta fatores de risco cardiovascular significativos: é tabagista e possui IMC de 30,5 kg/m² (obesidade grau I). Nessas condições, as diretrizes recomendam a avaliação do risco cardiovascular através da aferição da pressão arterial, perfil lipídico e glicemia de jejum para detecção precoce de dislipidemia e diabetes.

Quais sorologias devem ser oferecidas na consulta de rotina?

Devem ser oferecidas sorologias para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), especificamente HIV, Sífilis, Hepatite B e Hepatite C. Essa recomendação faz parte da abordagem de prevenção e promoção à saúde na Atenção Primária, independentemente da queixa principal da paciente.

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