Diretrizes de Rastreamento na APS: O que Recomenda o Ministério da Saúde

UFSM/HUSM - Hospital Universitário de Santa Maria (RS) — Prova 2017

Enunciado

Segundo Stein, Zelmanowicz e Falavigna (2013), o rastreamento, também chamado de rastreio ou screening, pode ser definido como um processo que identifica pessoas aparentemente saudáveis, mas que poderiam apresentar maior risco de desenvolver uma doença ou maior probabilidade de ter uma determinada condição clínica; as quais, uma vez identificadas, se confirmadas com segurança, deveriam receber um tratamento capaz de reduzir o risco e/ou complicação da doença em questão. Com relação ao rastreamento de indivíduos assintomáticos, responda à questão seguinte. De acordo com as diretrizes de rastreamento no contexto da Atenção Primária em Saúde no Brasil, publicadas pelo Ministério da Saúde (Cadernos de Atenção Primária – número 29 – Rastreamento), avalie as opções a seguir:I – Rastreamento para obesidade, através da aferição de peso e altura e cálculo do índice de massa corporal (IMC).II – Rastreamento para hipertensão arterial sistêmica, através da aferição dos níveis de pressão arterial com esfigmomanômetro.III – Rastreamento para desordens hematológicas, incluindo anemia ferropriva, através da solicitação de hemograma completo.IV – Rastreamento para desordens lipídicas, incluindo hipercolesterolemia, através da solicitação do perfil lipídico sanguíneo (em jejum de 12 horas).V – Rastreamento para tabagismo, através da anamnese (abordar o assunto, aconselhar a parar, verificar motivação para cessar e acompanhar o caso).São recomendações de rastreamento para a população em geral na faixa etária entre 45 e 55 anos de idade:

Alternativas

  1. A) Somente as alternativas I, II, III e V.
  2. B) Somente as alternativas I, II, III e IV.
  3. C) Somente as alternativas II, III, IV e V.
  4. D) Somente as alternativas I, III, IV e V.
  5. E) Somente as alternativas I, II, IV e V.

Pérola Clínica

Rastreio na APS → HAS, Obesidade, Tabagismo e Dislipidemia (conforme risco); Hemograma não é rastreio.

Resumo-Chave

O rastreamento populacional no Brasil prioriza condições com alto impacto epidemiológico e evidência de benefício na intervenção precoce, evitando exames desnecessários em assintomáticos.

Contexto Educacional

O rastreamento (screening) é uma ferramenta de prevenção secundária que visa detectar doenças em indivíduos assintomáticos. No contexto da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, o Ministério da Saúde utiliza evidências de força A e B para recomendar intervenções. As ações validadas para a faixa etária de 45-55 anos incluem a aferição da PA para hipertensão, cálculo do IMC para obesidade, avaliação do perfil lipídico para risco cardiovascular e a abordagem sistemática do tabagismo. A prática de solicitar 'check-ups' laboratoriais extensos sem critérios clínicos fere o princípio da prevenção quaternária, que busca proteger o paciente de intervenções médicas excessivas e desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar um rastreamento?

Para que um rastreamento seja indicado, a doença deve ser um problema de saúde importante, ter um estágio latente identificável, o teste deve ser aceitável e seguro, e deve haver um tratamento eficaz que melhore o prognóstico se iniciado precocemente. Esses critérios, baseados em Wilson e Jungner, orientam as escolhas do Ministério da Saúde no Caderno 29.

Por que o hemograma não é recomendado como rastreio de rotina?

O rastreamento de desordens hematológicas (como anemia ferropriva) em adultos assintomáticos não demonstrou benefício em termos de redução de morbimortalidade que justifique o custo e o risco de exames falso-positivos ou achados incidentais sem relevância clínica. O hemograma deve ser solicitado com base em suspeita clínica ou grupos de risco específicos.

Como deve ser feito o rastreio de dislipidemias?

O rastreamento de dislipidemias é recomendado para homens acima de 35 anos e mulheres acima de 45 anos. No entanto, pode ser iniciado aos 20 anos se houver fatores de risco cardiovascular associados, como diabetes, hipertensão, tabagismo ou história familiar precoce de doença coronariana, utilizando o perfil lipídico (CT, LDL, HDL e TG).

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