Rastreamento e Prevenção em Tabagistas na APS

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 66 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para uma consulta de rotina, após três anos sem acompanhamento médico. Ele é tabagista ativo, com uma carga tabágica acumulada de 45 maços-ano, é sedentário e possui diagnósticos conhecidos de Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus tipo 2, ambos com histórico de baixa adesão terapêutica. Ao exame físico, apresenta-se assintomático, com Índice de Massa Corporal (IMC) de 32 kg/m² e pressão arterial de 152/96 mmHg. Os demais sistemas não apresentam alterações dignas de nota. O paciente traz exames laboratoriais realizados há um ano que mostram Glicemia de jejum de 148 mg/dL e Hemoglobina Glicada de 8,1%. Diante dos princípios da Medicina Preventiva e das diretrizes atuais de rastreamento e manejo de condições crônicas na Atenção Primária à Saúde, assinale a conduta que NÃO deve ser realizada rotineiramente para este paciente:

Alternativas

  1. A) Realização de rastreamento de Câncer Colorretal por meio de colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes.
  2. B) Realização de rastreamento de Aneurisma de Aorta Abdominal (AAA) por meio de ultrassonografia abdominal.
  3. C) Realização de rastreamento de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) por meio de espirometria.
  4. D) Realização de rastreamento de Câncer de Pulmão por meio de tomografia de tórax com baixa dose de radiação.

Pérola Clínica

Não se realiza rastreamento de DPOC com espirometria em pacientes assintomáticos, independentemente da carga tabágica.

Resumo-Chave

O rastreamento de DPOC em indivíduos sem sintomas respiratórios não reduz a morbimortalidade; o foco clínico deve ser a cessação tabágica e o rastreio de outras condições associadas ao fumo.

Contexto Educacional

O manejo do paciente tabagista na Atenção Primária à Saúde (APS) exige uma aplicação rigorosa dos princípios da Medicina Baseada em Evidências. O rastreamento deve focar em condições onde a detecção precoce comprovadamente altera o desfecho clínico, como o câncer colorretal (iniciando aos 45-50 anos), o câncer de pulmão e o aneurisma de aorta abdominal. A DPOC, embora prevalente em tabagistas, deve ser investigada apenas em pacientes que apresentam sintomas como dispneia, tosse crônica ou produção de escarro. A espirometria é a ferramenta diagnóstica padrão-ouro para confirmar a limitação ao fluxo aéreo, mas seu uso como 'check-up' em assintomáticos gera custos desnecessários e potenciais danos por sobrediagnóstico. A prioridade absoluta para este perfil de paciente é a abordagem intensiva para cessação do tabagismo e o controle rigoroso de comorbidades cardiovasculares.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para rastreio de Aneurisma de Aorta Abdominal (AAA)?

De acordo com as principais diretrizes, como a USPSTF, o rastreamento de AAA é recomendado para homens entre 65 e 75 anos que tenham uma história de tabagismo (definida geralmente como ter fumado pelo menos 100 cigarros na vida). O exame de escolha é a ultrassonografia abdominal, que possui alta sensibilidade e especificidade para detectar dilatações aórticas. Para mulheres ou homens que nunca fumaram, o rastreamento rotineiro não é indicado, a menos que existam outros fatores de risco importantes ou histórico familiar.

Como funciona o rastreamento de câncer de pulmão?

O rastreamento é indicado para adultos de 50 a 80 anos que apresentam uma carga tabágica de 20 maços-ano ou mais e que são fumantes atuais ou pararam de fumar nos últimos 15 anos. O método recomendado é a Tomografia de Tórax com Baixa Dose de Radiação (TCBD) anualmente. O rastreamento deve ser interrompido se a pessoa não fumar há mais de 15 anos ou desenvolver um problema de saúde que limite substancialmente a expectativa de vida ou a capacidade/vontade de realizar cirurgia pulmonar curativa.

Por que a espirometria não é recomendada para rastreio de DPOC?

A realização de espirometria em adultos assintomáticos para rastrear Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) não demonstrou benefícios em termos de melhora da qualidade de vida, redução de exacerbações ou mortalidade. Além disso, o diagnóstico de DPOC em um paciente sem sintomas não altera a principal intervenção de saúde necessária: a cessação tabágica. O rastreamento pode levar a tratamentos desnecessários e efeitos colaterais de medicamentos em pacientes que não se beneficiariam da terapia broncodilatadora.

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