CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Qual a melhor conduta, entre as abaixo, para um paciente de 65 anos com descolamento de retina total decorrente de rasgadura retiniana periférica arqueada em 155 graus superiores, com borda posterior enrolada?
Rasgadura gigante (>90°) + borda enrolada → Vitrectomia + Perfluorcarbono + Laser.
Rasgaduras gigantes com bordas invertidas exigem vitrectomia para remover trações e o uso de perfluorcarbono líquido para 'desdobrar' e estabilizar a retina antes da fotocoagulação definitiva.
O tratamento de rasgaduras retinianas gigantes (RRG) representa um desafio cirúrgico significativo. Historicamente, essas lesões tinham prognóstico reservado, mas o advento da vitrectomia e dos líquidos pesados (PFCL) mudou drasticamente os resultados. A principal dificuldade reside na instabilidade da aba posterior da retina, que tende a cair sobre o polo posterior devido à gravidade e forças contráteis. A cirurgia moderna foca na remoção meticulosa da base vítrea para liberar trações e no uso do PFCL como uma 'mão instrumental' que segura a retina no lugar. A escolha do tamponante final (gás expansível como SF6/C3F8 ou óleo de silicone) depende da capacidade do paciente em manter o posicionamento e da presença de vitreorretinopatia proliferativa (PVR) associada.
Uma rasgadura retiniana é classificada como gigante quando sua extensão circunferencial é igual ou superior a 90 graus (3 horas de relógio). Elas se diferenciam de rasgos convencionais pela tendência da borda posterior em se retrair e enrolar, o que torna o tratamento com técnicas convencionais de introflexão escleral extremamente difícil e ineficaz.
O PFCL é um líquido pesado e transparente usado transoperatoriamente para 'planchar' a retina contra a coroide. Em rasgos gigantes com bordas enroladas, o PFCL permite desdobrar a retina de posterior para anterior, expulsando o fluido sub-retiniano pelo rasgo e mantendo a retina estável para a aplicação segura de endolaser nas bordas da lesão.
A conduta de escolha é a vitrectomia posterior via pars plana (VPP). Durante o procedimento, realiza-se a remoção completa do vítreo, uso de PFCL para reposicionamento retiniano, fotocoagulação a laser (360 graus ou nas bordas do rasgo) e troca fluido-gasosa ou uso de óleo de silicone como tamponante interno de longa duração.
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