HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
A rasburicase, fármaco muito utilizado na onco-hematologia, é utilizada para reduzir o nível sérico de:
Rasburicase → converte ácido úrico em alantoína (solúvel) na Síndrome de Lise Tumoral.
A rasburicase é uma urato oxidase recombinante que catalisa a oxidação do ácido úrico em alantoína, um metabólito muito mais solúvel e facilmente excretado pelos rins, prevenindo a insuficiência renal aguda.
A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica caracterizada por distúrbios metabólicos graves decorrentes da destruição rápida de células neoplásicas. A hiperuricemia é um dos pilares da SLT, podendo levar à precipitação de cristais de urato nos túbulos renais e consequente lesão renal aguda. A rasburicase representa um avanço terapêutico significativo em relação ao alopurinol, pois atua diretamente no ácido úrico circulante. Clinicamente, a rasburicase é administrada por via intravenosa e apresenta um início de ação rápido, reduzindo drasticamente os níveis de urato em poucas horas. É fundamental monitorar os níveis de eletrólitos e a função renal durante o tratamento. Em termos de segurança, além do risco em pacientes com deficiência de G6PD, deve-se estar atento a reações de hipersensibilidade, dado que se trata de uma proteína recombinante.
A rasburicase é uma enzima urato oxidase recombinante que atua convertendo o ácido úrico, que é pouco solúvel em meio aquoso e tende a se precipitar nos túbulos renais em condições de hiperuricemia, em alantoína. Diferente do ácido úrico, a alantoína é um metabólito altamente solúvel e inerte, sendo facilmente excretado pela via renal sem o risco de cristalização. Enquanto fármacos como o alopurinol agem inibindo a xantina oxidase para prevenir a formação de novo ácido úrico, a rasburicase é capaz de degradar o estoque de ácido úrico já presente na circulação. Isso a torna extremamente eficaz no manejo agudo da Síndrome de Lise Tumoral, onde os níveis de purinas sobem drasticamente após o início da quimioterapia citotóxica em tumores de alta taxa de proliferação, como linfomas e leucemias agudas.
A principal indicação da rasburicase é a prevenção e o tratamento da hiperuricemia grave em pacientes com neoplasias hematológicas malignas (como leucemias e linfomas) que apresentam alto risco de desenvolver a Síndrome de Lise Tumoral (SLT). A SLT ocorre quando a destruição rápida de células tumorais libera grandes quantidades de potássio, fósforo e ácidos nucleicos (que são metabolizados em ácido úrico) na corrente sanguínea. A rasburicase é indicada especialmente quando os níveis de ácido úrico já estão elevados ou quando o paciente possui uma carga tumoral tão alta que o alopurinol seria insuficiente para prevenir a nefropatia por urato. Seu uso ajuda a manter a função renal preservada, permitindo a continuidade do tratamento quimioterápico essencial.
Sim, a contraindicação absoluta mais importante para o uso da rasburicase é a deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD). O processo de conversão do ácido úrico em alantoína mediado pela enzima urato oxidase gera peróxido de hidrogênio (H2O2) como subproduto. Em indivíduos com deficiência de G6PD, o sistema antioxidante das hemácias é incapaz de neutralizar esse estresse oxidativo, o que leva à oxidação da hemoglobina e à formação de corpúsculos de Heinz, resultando em hemólise aguda grave e metemoglobinemia. Portanto, em populações de risco ou antes de administrar o fármaco em cenários não emergenciais, a triagem para G6PD é recomendada. Caso ocorra metemoglobinemia induzida por rasburicase, o tratamento com azul de metileno é contraindicado, pois este também depende da via da G6PD para ser eficaz.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo