Raquitismo Carencial: Diagnóstico e Tratamento em Crianças

MedEvo Simulado — Prova 2025

Enunciado

Miguel, 18 meses de idade, é trazido à consulta pelos pais. Nasceu a termo, foi aleitado exclusivamente até os 6 meses. Após esse período, a alimentação complementar tem sido irregular, com pouca variedade e baixa ingestão de laticínios. Reside em apartamento, com pouca exposição solar direta, e não recebeu suplementação profilática de vitamina D. A mãe refere que Miguel está “molinho”, com atraso para firmar-se e andar, e que notou um inchaço nas articulações dos punhos e tornozelos. Ao exame físico, apresenta peso no percentil 25 e estatura no percentil 10 para a idade. Observa-se craniotabes discreto, proeminência das junções costocondrais (rosário raquítico), alargamento metafisário em punhos e tornozelos, e arqueamento das tíbias. Os exames complementares revelam: Cálcio sérico: 7.5 mg/dL (VR: 8.5-10.5 mg/dL); Fósforo sérico: 3.0 mg/dL (VR: 4.5-6.5 mg/dL); Fosfatase alcalina: 850 U/L (VR: 150-420 U/L); 25-hidroxivitamina D: 10 ng/mL (VR: > 30 ng/mL).<br><br>Considerando o quadro clínico e laboratorial, qual a conduta terapêutica inicial mais adequada para Miguel?

Alternativas

  1. A) Iniciar suplementação de cálcio oral na dose de 500 mg/dia e aumentar a exposição solar.
  2. B) Prescrever vitamina D na dose profilática de 400 UI/dia e encaminhar para avaliação ortopédica.
  3. C) Administrar vitamina D na dose de 2.000 UI/dia por 6 a 8 semanas, associado a suplementação de cálcio se a dieta for inadequada.
  4. D) Solicitar dosagem de paratormônio (PTH) e iniciar calcitriol, devido à hipocalcemia grave e arqueamento ósseo.

Pérola Clínica

Raquitismo carencial: hipocalcemia, hipofosfatemia, ALP ↑, 25-OH Vit D ↓. Tto: Vit D 2000 UI/dia + cálcio.

Resumo-Chave

O raquitismo carencial é causado pela deficiência de vitamina D, levando à mineralização óssea inadequada. A apresentação clínica inclui atraso no desenvolvimento motor e deformidades ósseas. O tratamento inicial envolve doses terapêuticas de vitamina D para corrigir a deficiência e, se necessário, suplementação de cálcio.

Contexto Educacional

O raquitismo carencial é uma doença metabólica óssea caracterizada pela mineralização inadequada da cartilagem de crescimento e do osso recém-formado, resultante da deficiência de vitamina D, cálcio ou fósforo. É mais comum em lactentes e crianças pequenas, especialmente naqueles com baixa exposição solar, dieta inadequada e sem suplementação profilática de vitamina D. A identificação precoce é crucial para prevenir deformidades ósseas permanentes e atrasos no desenvolvimento. A fisiopatologia envolve a incapacidade de manter níveis adequados de cálcio e fósforo para a mineralização óssea devido à deficiência de vitamina D, que é essencial para a absorção intestinal desses minerais. Clinicamente, manifesta-se por atraso no desenvolvimento motor, fraqueza muscular, irritabilidade e deformidades esqueléticas progressivas, como craniotabes, rosário raquítico, alargamento epifisário e arqueamento dos membros. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais (hipocalcemia, hipofosfatemia, fosfatase alcalina elevada, 25-hidroxivitamina D baixa) e radiografias que mostram alterações metafisárias. O tratamento do raquitismo carencial visa corrigir a deficiência de vitamina D e normalizar o metabolismo do cálcio e fósforo. A conduta inicial mais adequada é a administração de vitamina D em doses terapêuticas (ex: 2.000 UI/dia para crianças < 1 ano, 2.000-4.000 UI/dia para crianças > 1 ano, por 6-8 semanas), associada à suplementação de cálcio oral se a ingestão dietética for insuficiente. A monitorização laboratorial é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e ajustar as doses. A prevenção é feita com suplementação profilática de vitamina D e exposição solar adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos do raquitismo em crianças?

Os sinais incluem atraso no desenvolvimento motor, fraqueza muscular, irritabilidade, craniotabes, rosário raquítico (proeminência das junções costocondrais), alargamento metafisário em punhos e tornozelos, e arqueamento dos membros inferiores.

Qual a conduta terapêutica inicial para o raquitismo carencial?

A conduta inicial envolve a administração de vitamina D em doses terapêuticas (geralmente 2.000 UI/dia para lactentes e crianças pequenas) por 6 a 8 semanas, associada à suplementação de cálcio oral se a ingestão dietética for insuficiente.

Como os exames laboratoriais auxiliam no diagnóstico do raquitismo?

O raquitismo carencial tipicamente apresenta hipocalcemia, hipofosfatemia, elevação da fosfatase alcalina e níveis baixos de 25-hidroxivitamina D, confirmando a deficiência e o distúrbio da mineralização óssea.

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