Raquitismo Carencial: Diagnóstico e Prevenção em Lactentes

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020

Enunciado

Menina, 1 ano de idade, pesa 10,8 Kg, mede 76 cm e tem perímetro cefálico (PC) de 46 cm. Já com dois dentes incisivos centrais inferiores e caminhando com apoio. Foi alimentada com leite materno (LM) exclusivo até os 6 meses e complementou-o com papa de legumes dos 6 aos 12 meses de vida. Recebeu todas as vacinas recomendadas pelo calendário oficial. Nunca faltou às consultas de puericultura. Não recebeu suplementação de vitaminas e ferro no primeiro ano. Como o ano foi muito chuvoso, poucas vezes a mãe saiu com a menina na rua. Na consulta de um ano, o pediatra percebeu que, ao apertar a região occipital do crânio para medir o PC, esta afundou e retornou depois, como se fosse uma ""bolinha de ping-pong"". Este fato, percebido pelo seu médico assistente, pode ser melhor explicado pelo seguinte conjunto de dados:

Alternativas

  1. A) Como ainda não caminha sem apoio, pesa apenas 10,8 Kg, mede 76 cm, tem PC de 46 cm e tem apenas dois dentes, deve ter doença renal crônica, que comprometeu o crescimento normal do tecido ósseo.
  2. B) LM exclusivo até os 6 meses de vida e complementado com papa de legumes dos 6 aos 12 meses de vida, pouca exposição ao sol (mau tempo e poucos passeios na rua) e sem complementação de vitamina D, podem ter sido os desencadeantes de raquitismo carencial.
  3. C) O peso, a estatura, o PC, o craniotabes, a pouca quantidade de dentes e o fato de caminhar com apoio são normais para a idade e, considerando que a criança foi tão adequadamente cuidada pela mãe e por seu médico assistente, este fato pode ser considerado uma variante da normalidade.
  4. D) A falta de exposição ao sol pelo tempo chuvoso e poucos passeios na rua poderiam ter contribuído para o craniotabes, fato relatado pelo médico assistente, mas isso foi amplamente compensado por ter recebido LM até 1 ano de idade.

Pérola Clínica

Craniotabes em lactente + baixa exposição solar + sem suplementação D → suspeitar raquitismo carencial.

Resumo-Chave

O craniotabes é um sinal precoce de raquitismo, indicando desmineralização óssea. A deficiência de vitamina D, comum em lactentes com pouca exposição solar e sem suplementação adequada, é a principal causa do raquitismo carencial.

Contexto Educacional

Raquitismo carencial é uma doença óssea metabólica caracterizada por mineralização inadequada da cartilagem de crescimento e do osso recém-formado, predominantemente causada pela deficiência de vitamina D. É uma condição prevenível, mas ainda prevalente em muitas regiões, especialmente em lactentes e crianças pequenas. A vitamina D é essencial para a homeostase do cálcio e fósforo. Sua deficiência leva à hipocalcemia e hipofosfatemia, resultando em desmineralização óssea. O craniotabes é um sinal precoce, manifestando-se como amolecimento da região occipital ou parietal do crânio. Fatores de risco incluem aleitamento materno exclusivo sem suplementação, baixa exposição solar e dietas restritivas. O diagnóstico é clínico, laboratorial (níveis de 25-hidroxivitamina D, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina) e radiológico. O tratamento envolve suplementação de vitamina D e cálcio. A prevenção é fundamental, com a suplementação universal de vitamina D para lactentes e crianças, conforme as diretrizes pediátricas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos do raquitismo carencial em lactentes?

Os sinais incluem craniotabes (amolecimento do crânio), rosário raquítico, alargamento dos punhos e tornozelos, e atraso no fechamento das fontanelas.

Qual a importância da suplementação de vitamina D para prevenir o raquitismo?

A suplementação de vitamina D é crucial para a absorção de cálcio e fósforo, essenciais para a mineralização óssea, prevenindo o raquitismo em crianças, especialmente as amamentadas.

Como diferenciar o craniotabes fisiológico do patológico?

O craniotabes fisiológico é raro após 3-4 meses de idade. Persistência ou aparecimento tardio, especialmente com outros sinais de raquitismo ou fatores de risco, sugere patologia.

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