Raquianestesia em Idosos: Dose e Técnica Segura

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 85 anos de idade, pesando 45 kg, e com1,65m de altura. Será submetida a desbridamento e troca de curativo à vácuo em membro inferior esquerdo. Tem antecedente de AVC isquêmico e síndrome coronariana aguda. É optado por realização de raquianestesia com punção entre L2-L3. Em relação ao anestésico local e técnica para raquianestesia. Qual é a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Utilizar 10 mg de bupivacaína 0,5% isobárica mantendo o paciente sentado por 5 min após a punção.
  2. B) Utilizar 10 mg de bupivacaína 0,5% isobárica colocando o paciente em decúbito dorsal logo após a punção.
  3. C) Utilizar 20 mg de bupivacaína 0,5% hiperbárica colocando o paciente em decúbito dorsal logo após a punção.
  4. D) Utilizar 20 mg de bupivacaína 0,5% hiperbárica colocando o paciente em decúbito lateral direito logo após a punção.

Pérola Clínica

Raquianestesia em idosos/baixo peso: preferir bupivacaína isobárica 10mg e posicionar em decúbito dorsal para evitar bloqueio alto.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos e com baixo peso, a dose do anestésico local para raquianestesia deve ser reduzida para minimizar o risco de bloqueio simpático excessivo e suas complicações, como hipotensão e bradicardia. A bupivacaína isobárica, com sua distribuição menos dependente da gravidade, permite um posicionamento mais flexível e seguro.

Contexto Educacional

A raquianestesia é uma técnica amplamente utilizada em cirurgias de membros inferiores, abdome inferior e períneo. Em pacientes idosos, a fisiologia alterada, como a redução do volume do líquor e a maior sensibilidade aos anestésicos locais, exige uma abordagem cuidadosa na escolha da dose e da técnica para minimizar riscos. A bupivacaína 0,5% isobárica, em doses reduzidas (geralmente 7,5 a 10 mg), é frequentemente a escolha preferencial para raquianestesia em idosos. Sua densidade similar ao líquor resulta em uma dispersão mais controlada e menos dependente da gravidade, o que diminui o risco de bloqueios simpáticos muito altos e suas consequências, como hipotensão e bradicardia, que são mal toleradas por pacientes com comorbidades cardiovasculares. O posicionamento do paciente em decúbito dorsal logo após a injeção do anestésico isobárico é uma prática segura que permite uma distribuição adequada do fármaco, garantindo um bloqueio eficaz para a cirurgia sem comprometer a estabilidade hemodinâmica do paciente. A atenção a esses detalhes é crucial para a segurança e o sucesso do procedimento anestésico em populações vulneráveis.

Perguntas Frequentes

Qual a dose recomendada de bupivacaína para raquianestesia em idosos?

Em idosos, especialmente com baixo peso, a dose de bupivacaína para raquianestesia deve ser reduzida, geralmente 7,5 a 10 mg de bupivacaína 0,5% isobárica, para evitar bloqueios muito altos e instabilidade hemodinâmica.

Por que a bupivacaína isobárica é preferível em alguns casos de raquianestesia?

A bupivacaína isobárica tem densidade similar ao líquor, o que torna sua dispersão menos dependente da posição do paciente, resultando em um bloqueio mais previsível e menor risco de bloqueio simpático excessivo, especialmente em idosos.

Qual o posicionamento ideal após a punção para raquianestesia com bupivacaína isobárica?

Após a punção e injeção de bupivacaína isobárica, o paciente pode ser colocado em decúbito dorsal. Isso permite uma distribuição homogênea do anestésico e ajuda a evitar um bloqueio excessivamente alto, sendo uma prática segura.

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