SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Uma paciente de 72 anos será submetida a uma cirurgia eletiva de histerectomia aberta e, para isso, passa por uma consulta pré-anestésica. Diante do caso, o anestesista opta em associar um bloqueio anestésico para a paciente. Com base no caso clínico e nos bloqueios anestésicos, julgue o item a seguir.A raquianestesia consiste em uma alternativa a pacientes como a citada nesse caso, a depender do procedimento cirúrgico em questão, pois evita a manipulação da via aérea e as complicações da intubação traqueal.
Raquianestesia → evita manipulação de via aérea e complicações de intubação em idosos.
A raquianestesia é uma técnica de bloqueio neuroaxial eficaz para cirurgias infraumbilicais, reduzindo riscos respiratórios associados à anestesia geral e intubação orotraqueal em pacientes idosos.
A raquianestesia, ou bloqueio subaracnóideo, envolve a injeção de anestésico local no espaço preenchido pelo líquido cefalorraquidiano. Em procedimentos ginecológicos como a histerectomia aberta, ela proporciona um bloqueio sensitivo e motor denso, ideal para a manipulação cirúrgica abdominal inferior. A técnica é particularmente valiosa em pacientes geriátricos, pois permite a manutenção da consciência ou sedação leve, preservando os reflexos protetores das vias aéreas. Além disso, a analgesia residual no pós-operatório imediato contribui para uma recuperação mais confortável e deambulação precoce, reduzindo o risco de tromboembolismo venoso. A escolha entre anestesia geral e regional deve ser individualizada, mas a capacidade de evitar a ventilação mecânica e seus efeitos deletérios sobre a mecânica pulmonar torna a raquianestesia uma alternativa robusta para pacientes com fragilidade respiratória.
A raquianestesia oferece excelente relaxamento muscular e analgesia, além de manter a ventilação espontânea do paciente, o que é crucial para evitar as complicações inerentes à laringoscopia e intubação traqueal, como trauma de via aérea, broncoespasmo e instabilidade hemodinâmica durante a indução. Em idosos, a redução da carga farmacológica sistêmica também minimiza o risco de delirium pós-operatório e disfunção cognitiva.
Sim, as contraindicações absolutas incluem a recusa do paciente, infecção no sítio de punção, coagulopatias graves ou uso de anticoagulantes em doses terapêuticas (respeitando os tempos de suspensão), e hipertensão intracraniana. A hipovolemia grave não corrigida também é uma contraindicação importante devido ao risco de hipotensão severa por bloqueio simpático.
O bloqueio simpático resultante da raquianestesia causa vasodilatação periférica, o que pode levar a uma queda significativa da pressão arterial. Em idosas, a reserva cardiovascular é menor, exigindo monitorização rigorosa, expansão volêmica cautelosa e uso criterioso de vasopressores como a fenilefrina ou efedrina para manter a perfusão orgânica e evitar isquemia miocárdica ou cerebral.
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