Sangramento Gástrico Avançado: Radioterapia Hemostática

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 30 anos está internado na Unidade de Terapia Intensiva por quadro de anemia, desnutrição e queda do estado geral, secundário a adenocarcinoma gástrico com células em anel de sinete, com metástase hepática. Há uma semana, seu KPS (Karnofsky Performance Status) foi avaliado em 80%. Evolui com hematêmese, sendo que a endoscopia mostra sangramento difuso, em porejamento, da neoplasia. Conduta:

Alternativas

  1. A) Gastrectomia de urgência, sem linfadenectomia.
  2. B) Radioterapia hemostática. 
  3. C) Terapia com argônio, por endoscopia.
  4. D) Instilação de adrenalina, por via endoscópica.
  5. E) Suporte clínico apenas, sem nenhuma medida invasiva.

Pérola Clínica

Sangramento difuso por adenocarcinoma gástrico avançado com metástase → Radioterapia hemostática é a conduta.

Resumo-Chave

Em pacientes com câncer gástrico avançado e sangramento difuso em porejamento, especialmente com metástases e KPS razoável, a radioterapia hemostática é uma opção eficaz para controle local do sangramento, oferecendo alívio sintomático e melhorando a qualidade de vida, sem a morbidade de uma cirurgia de urgência em um paciente debilitado.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma gástrico com células em anel de sinete é um subtipo histológico agressivo, frequentemente associado a um pior prognóstico e maior tendência a metástases, como a hepática neste caso. O sangramento gastrointestinal superior é uma complicação comum em estágios avançados, podendo ser difuso e de difícil controle. A avaliação do estado geral do paciente, como o Karnofsky Performance Status (KPS), é crucial para guiar as decisões terapêuticas, especialmente em contextos paliativos. Diante de um quadro de sangramento difuso por neoplasia gástrica avançada e metastática, com um KPS de 80%, a radioterapia hemostática emerge como a conduta mais apropriada. Ela visa o controle local do sangramento, proporcionando alívio sintomático e melhorando a qualidade de vida, sem a alta morbidade e mortalidade associadas a uma cirurgia de urgência em um paciente com doença disseminada. Outras opções como a terapia endoscópica (argônio, adrenalina) são mais eficazes para sangramentos localizados e não difusos. A gastrectomia de urgência seria uma medida excessivamente agressiva e com pouca probabilidade de sucesso em um cenário de doença metastática e sangramento difuso, além de não impactar o prognóstico geral. O suporte clínico exclusivo, sem nenhuma medida invasiva, poderia ser considerado se o KPS fosse muito baixo ou se o paciente recusasse intervenções, mas com KPS 80%, há espaço para intervenções paliativas que melhorem a qualidade de vida. A radioterapia hemostática é uma ferramenta valiosa nos cuidados paliativos oncológicos para controle de sintomas como dor e sangramento.

Perguntas Frequentes

Quando a radioterapia hemostática é indicada para sangramento gastrointestinal em câncer?

A radioterapia hemostática é indicada para controle de sangramento em tumores avançados, especialmente quando o sangramento é difuso, não passível de controle endoscópico ou cirúrgico, e o objetivo é paliativo, visando melhorar a qualidade de vida do paciente.

Por que a gastrectomia de urgência não é a melhor opção neste caso de adenocarcinoma gástrico avançado?

A gastrectomia de urgência em um paciente com adenocarcinoma gástrico avançado e metastático, com sangramento difuso, apresenta alta morbimortalidade e não altera o prognóstico da doença. A cirurgia seria muito agressiva para um benefício limitado, especialmente quando há opções paliativas menos invasivas e eficazes.

O que o Karnofsky Performance Status (KPS) indica neste contexto?

O KPS é uma escala que avalia o estado funcional do paciente oncológico. Um KPS de 80% indica que o paciente é capaz de realizar atividades normais com algum esforço, ou apresenta alguma doença, mas é capaz de cuidar de si mesmo. Isso sugere que o paciente ainda tem uma condição funcional razoável para se beneficiar de terapias paliativas como a radioterapia.

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