Câncer de Colo Uterino 1A2: Indicações de Radioterapia Adjuvante

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Uma paciente de trinta anos de idade, com o diagnóstico de carcinoma espinocelular do colo uterino estádio 1A2, realizou cirurgia e retornou no pós-operatório para avaliação de radioterapia. Nessa situação hipotética, não é indicação de radioterapia a presença de

Alternativas

  1. A) um tamanho tumoral acima de 5 cm, apenas.
  2. B) margens cirúrgicas comprometidas.
  3. C) invasão linfonodal.
  4. D) invasão de paramétrio.
  5. E) invasão angiolinfática associada à invasão estromal de 2/3.

Pérola Clínica

Câncer de colo uterino 1A2 pós-cirurgia: radioterapia adjuvante indicada por margens +, linfonodos +, paramétrio +, ou invasão angiolinfática + estromal > 2/3.

Resumo-Chave

Em carcinoma de colo uterino estádio 1A2 pós-cirurgia, a radioterapia adjuvante é indicada por fatores de alto risco como margens comprometidas, invasão linfonodal ou paramétrica. Um tamanho tumoral > 5 cm isoladamente não é uma indicação para radioterapia adjuvante em estádio 1A2, que se refere a lesões microscópicas.

Contexto Educacional

O carcinoma espinocelular do colo uterino é uma neoplasia ginecológica comum, e seu estadiamento preciso, conforme a FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), é crucial para guiar o tratamento. O estádio 1A2 refere-se a tumores com invasão estromal microscópica, com profundidade entre 3 e 5 mm e largura inferior a 7 mm, geralmente tratados primariamente com cirurgia (histerectomia radical com linfadenectomia pélvica). A decisão de adicionar radioterapia adjuvante pós-operatória é complexa e baseada em fatores de risco para recorrência. A fisiopatologia do câncer de colo uterino está intrinsecamente ligada à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV). Após a cirurgia, a avaliação anatomopatológica da peça cirúrgica é fundamental para identificar fatores de risco que justifiquem a radioterapia adjuvante. Estes incluem margens cirúrgicas comprometidas (positivas), metástases em linfonodos pélvicos, e invasão do paramétrio. Estes são considerados fatores de alto risco e indicam a necessidade de radioterapia pélvica com ou sem quimioterapia concomitante. Além dos fatores de alto risco, existem os fatores de risco intermediário, como invasão do espaço angiolinfático, invasão estromal profunda (geralmente > 2/3) e tamanho tumoral grande (embora não aplicável a 1A2, que é microscópico). A presença de múltiplos fatores de risco intermediários pode também indicar radioterapia adjuvante. A alternativa 'tamanho tumoral acima de 5 cm, apenas' não se aplica ao estádio 1A2, pois este estádio é microscopicamente definido. Tumores > 5 cm seriam classificados em estádios mais avançados, onde a radioterapia é frequentemente parte do tratamento primário ou adjuvante. A compreensão desses critérios é vital para a tomada de decisão clínica e para a aprovação em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco que indicam radioterapia adjuvante em câncer de colo uterino após cirurgia?

Os principais fatores de risco que indicam radioterapia adjuvante são margens cirúrgicas comprometidas, invasão linfonodal, invasão de paramétrio, e a combinação de invasão angiolinfática com invasão estromal profunda (geralmente > 2/3).

Por que um tamanho tumoral acima de 5 cm não é uma indicação para radioterapia em carcinoma de colo uterino estádio 1A2?

O estádio 1A2 do carcinoma de colo uterino é definido por uma invasão estromal microscópica, com profundidade de 3-5 mm e largura menor que 7 mm. Um tumor com tamanho macroscópico acima de 5 cm já seria classificado em um estádio mais avançado (ex: IB3 ou IIA2), e não em 1A2.

Qual a importância da invasão angiolinfática e da invasão estromal profunda na decisão terapêutica?

A invasão angiolinfática e a invasão estromal profunda são fatores de risco intermediários para recorrência. Quando presentes em conjunto, especialmente com invasão estromal > 2/3, aumentam significativamente o risco e podem justificar a radioterapia adjuvante para melhorar o controle local e a sobrevida.

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