SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
Segundo Velasco (2022), a primeira referência histórica feita à rabdomiólise consta na Bíblia, em que há a descrição de uma doença aguda e grave que acometeu os israelitas após ingerirem aves que provavelmente alimentavam-se com sementes de cicuta.VELASCO, I. T. Medicina de emergência: abordagem prática. 16. ed. Barueri [SP]: Manole, 2022, com adaptações.Assim como o uso de sementes, algumas medicações podem induzir rabdomiólise, como, por exemplo, o uso de
Sinvastatina + Ciprofibrato → Risco ↑ de rabdomiólise por interação medicamentosa.
A combinação de estatinas (como sinvastatina) com fibratos (como ciprofibrato) aumenta significativamente o risco de rabdomiólise devido à inibição do metabolismo das estatinas, elevando suas concentrações plasmáticas e toxicidade muscular. É uma interação medicamentosa bem conhecida e perigosa.
A rabdomiólise é uma síndrome caracterizada pela lesão muscular esquelética com liberação de conteúdo intracelular (mioglobina, CPK, eletrólitos) na circulação, podendo levar a insuficiência renal aguda, arritmias e coagulopatias. Sua incidência varia, mas é uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento rápidos. Historicamente, casos foram descritos em contextos de toxicidade alimentar, mas hoje as causas mais comuns incluem trauma, exercício extenuante, infecções e, notavelmente, medicamentos. A fisiopatologia da rabdomiólise medicamentosa envolve o comprometimento da integridade da membrana do miócito, levando à necrose celular. Estatinas, usadas para dislipidemia, podem causar miopatia e, em casos graves, rabdomiólise. Fibratos, também para dislipidemia, aumentam esse risco, especialmente quando combinados com estatinas, devido a interações farmacocinéticas que elevam os níveis séricos das estatinas. O diagnóstico é feito pela elevação da creatinoquinase (CPK) em mais de 5 vezes o limite superior da normalidade, associada a sintomas musculares como mialgia, fraqueza e urina escura. O tratamento da rabdomiólise é focado na hidratação venosa agressiva para prevenir a insuficiência renal aguda, correção de distúrbios eletrolíticos e, em casos graves, diálise. A suspensão imediata do medicamento causador é crucial. O prognóstico geralmente é bom com tratamento precoce, mas pode ser grave se houver complicações renais ou eletrolíticas não tratadas. É fundamental que residentes estejam cientes das interações medicamentosas que podem precipitar essa condição.
As estatinas e os fibratos são classes de medicamentos frequentemente associadas à rabdomiólise, especialmente quando combinados, devido a interações farmacocinéticas que elevam os níveis séricos dos fármacos.
Estatinas e fibratos podem causar dano muscular direto. A coadministração, como sinvastatina e ciprofibrato, inibe o metabolismo da estatina (principalmente via CYP3A4), aumentando sua concentração e toxicidade muscular.
A prevenção envolve evitar a combinação sempre que possível, usar as menores doses eficazes, monitorar sintomas musculares e enzimas musculares (CPK), e educar o paciente sobre os sinais de alerta.
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