Rabdomiólise: Interação Atorvastatina e Colchicina

MedEvo Simulado — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 62 anos, com histórico de dislipidemia e gota, em uso de atorvastatina 40mg/dia e colchicina 0,5mg duas vezes ao dia há três semanas, procura o pronto-socorro com queixa de dor muscular intensa e difusa, fraqueza progressiva nos membros inferiores e urina de coloração escura há 48 horas. Ao exame físico, apresenta mialgia à palpação muscular, principalmente em coxas. Exames laboratoriais revelam: Creatina Kinase (CK) 8.500 U/L (VR < 190 U/L), Creatinina 2,1 mg/dL (VR 0,6-1,2 mg/dL), Ureia 78 mg/dL (VR 15-45 mg/dL), Potássio 5,9 mEq/L (VR 3,5-5,0 mEq/L). Diante do quadro clínico e laboratorial, qual das seguintes afirmações sobre a fisiopatologia é a mais correta?

Alternativas

  1. A) A hipercalemia observada neste paciente é predominantemente causada pela diminuição da excreção renal de potássio devido à insuficiência renal aguda.
  2. B) A lesão do miócito é um efeito colateral conhecido da interação medicamentosa entre a atorvastatina e a colchicina, levando à rabdomiólise.
  3. C) A coloração escura da urina (colúria) é um indicativo de hematúria macroscópica intensa, sugerindo um processo inflamatório glomerular.
  4. D) A injúria renal aguda neste cenário é resultado direto da toxicidade renal da creatina quinase (CK) circulante em altas concentrações.

Pérola Clínica

Atorvastatina + Colchicina = ↑ risco de rabdomiólise grave.

Resumo-Chave

A combinação de estatina (atorvastatina) e colchicina é uma interação medicamentosa conhecida por aumentar significativamente o risco de miopatia e rabdomiólise, especialmente em pacientes com disfunção renal ou hepática, levando à lesão do miócito e liberação de componentes intracelulares.

Contexto Educacional

A rabdomiólise é uma síndrome caracterizada pela lesão e necrose das células musculares esqueléticas, resultando na liberação de componentes intracelulares, como creatina quinase (CK), mioglobina e eletrólitos, na corrente sanguínea. É uma condição grave que pode levar a complicações como insuficiência renal aguda, hipercalemia e arritmias cardíacas. Neste caso, a combinação de atorvastatina (uma estatina) e colchicina é um fator de risco bem conhecido para rabdomiólise. As estatinas podem causar miopatia e rabdomiólise, especialmente em doses elevadas ou em combinação com outros medicamentos que inibem seu metabolismo (como inibidores de CYP3A4). A colchicina, usada para gota, também pode induzir miopatia, especialmente em pacientes com disfunção renal ou hepática, ou quando combinada com estatinas. A interação entre esses dois medicamentos potencializa o risco de toxicidade muscular, levando à lesão do miócito. A fisiopatologia envolve a liberação de mioglobina, que é filtrada pelos rins e pode precipitar nos túbulos renais, causando necrose tubular aguda e, consequentemente, insuficiência renal aguda. A urina escura (colúria) é um sinal clássico de mioglobinúria, não de hematúria macroscópica. A hipercalemia é uma complicação comum e perigosa, resultante tanto da liberação de potássio das células musculares danificadas quanto da diminuição da excreção renal devido à insuficiência renal aguda. O diagnóstico é confirmado pela elevação massiva da CK, como observado no paciente (8.500 U/L).

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da rabdomiólise induzida pela interação entre atorvastatina e colchicina?

A atorvastatina pode causar miopatia e rabdomiólise por inibir a síntese de coenzima Q10 e afetar a função mitocondrial. A colchicina, por sua vez, pode causar miopatia ao interferir no transporte microtubular. A combinação potencializa esses efeitos, levando à lesão muscular grave.

Quais são os principais sinais e sintomas da rabdomiólise?

Os principais sinais e sintomas da rabdomiólise incluem dor muscular intensa e difusa (mialgia), fraqueza muscular, urina de coloração escura (mioglobinúria), e elevação acentuada da creatina quinase (CK).

Como a rabdomiólise pode levar à insuficiência renal aguda e hipercalemia?

Na rabdomiólise, a lesão muscular libera mioglobina, que é nefrotóxica e pode causar necrose tubular aguda. A destruição celular também libera potássio para a circulação, resultando em hipercalemia, que é agravada pela diminuição da excreção renal na insuficiência renal aguda.

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