Câncer Colorretal: Quimioterapia Adjuvante e Padrões de Tratamento

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

O câncer colorretal é uma doença em que o tratamento multidisciplinar é fundamental para integrar com sucesso as várias especialidades clínicas e cirúrgicas, a fim de melhorar o prognóstico do paciente. Diante desse quadro, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Há fortes evidências que apoiam a adição da terapia-alvo à quimioterapia adjuvante, com impacto importante na sobrevida global dos pacientes.
  2. B) O grande estudo internacional QUASAR demonstrou diferenças significativas na sobrevida livre de doença (SLD) e na sobrevida global (SG), comparando baixas e altas doses de leucovorina.
  3. C) O QUASAR demonstrou melhora de 36% na sobrevida global para o estágio III do câncer colorretal quando a cirurgia + quimioterapia com 5-FU/LV foi comparada com cirurgia sem uso de quimioterapia.
  4. D) A oxaliplatina associada à fluoropirimidina demonstrou melhores resultados como terapia adjuvante no câncer colorretal.
  5. E) Atualmente, a radioterapia é empregada como terapia coadjuvante de alta eficácia na rescidiva do câncer de cólon direito.

Pérola Clínica

Câncer colorretal estágio III: Oxaliplatina + fluoropirimidina (FOLFOX/CAPOX) = padrão ouro adjuvante.

Resumo-Chave

A combinação de oxaliplatina com fluoropirimidina (como no regime FOLFOX ou CAPOX) é o padrão ouro para a quimioterapia adjuvante em pacientes com câncer colorretal estágio III, demonstrando melhora significativa na sobrevida livre de doença e sobrevida global em comparação com a fluoropirimidina isolada.

Contexto Educacional

O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias mais comuns e com alta mortalidade, exigindo uma abordagem multidisciplinar para otimizar o prognóstico. O tratamento envolve cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia e terapias-alvo. A quimioterapia adjuvante, administrada após a ressecção cirúrgica, é crucial para eliminar células tumorais residuais e reduzir o risco de recidiva, especialmente em pacientes com doença em estágio III. A fisiopatologia da resposta à quimioterapia adjuvante baseia-se na eliminação de micrometástases. Historicamente, o 5-fluorouracil (5-FU) com leucovorina (LV) era o pilar. No entanto, estudos como o MOSAIC e XELOXA demonstraram que a adição de oxaliplatina a uma fluoropirimidina (5-FU/LV ou capecitabina) melhora significativamente os resultados de sobrevida em pacientes com CCR estágio III, tornando-se o padrão de tratamento. A escolha do regime adjuvante depende do estágio da doença, comorbidades do paciente e toxicidade esperada. A terapia-alvo ainda não tem um papel estabelecido na adjuvância do CCR. A radioterapia é mais relevante para o câncer retal. Residentes devem dominar as indicações e regimes da quimioterapia adjuvante para otimizar o manejo desses pacientes e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da oxaliplatina na quimioterapia adjuvante do câncer colorretal?

A oxaliplatina, em combinação com fluoropirimidina (5-FU/leucovorina ou capecitabina), é um componente essencial da quimioterapia adjuvante para pacientes com câncer colorretal estágio III, melhorando significativamente a sobrevida livre de doença e a sobrevida global.

O que o estudo QUASAR demonstrou sobre o câncer colorretal?

O estudo QUASAR comparou diferentes doses de leucovorina com 5-FU na quimioterapia adjuvante, mas não demonstrou diferenças significativas na sobrevida livre de doença ou sobrevida global entre baixas e altas doses. Ele ajudou a consolidar o uso do 5-FU/LV como base.

Quando a radioterapia é indicada no câncer colorretal?

A radioterapia é primariamente utilizada no câncer retal, especialmente em estágios II e III, para reduzir o risco de recidiva local. No câncer de cólon, sua indicação é rara e restrita a situações muito específicas de recidiva local não ressecável ou paliativa.

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