Manejo do Recém-Nascido Exposto à Tuberculose

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um recém-nascido com 39 semanas, com peso de nascimento de 3.500g, parto normal, sem intercorrências. Antecedentes maternos apenas com episódio de infecção do trato urinário no último mês. Mãe refere que o pai do recém-nascido está em tratamento para Tuberculose há 5 dias, com melhora da tosse. Qual a conduta frente a esse recém-nascido:

Alternativas

  1. A) Manter aleitamento materno e realizar BCG.
  2. B) Manter aleitamento, não realizar BCG e iniciar quimioprofilaxia com isoniazida por 6 meses.
  3. C) Suspender aleitamento materno, não realizar BCG e iniciar quimioprofilaxia por 3 meses e após, realizar vacinação.
  4. D) Manter aleitamento materno, não realizar BCG e iniciar quimioprofilaxia com isoniazida por 3 meses e após, fazer prova tuberculínica.

Pérola Clínica

RN exposto a TB → Adiar BCG + Profilaxia (3 meses) → PPD: se < 5mm, vacina e para.

Resumo-Chave

Em recém-nascidos expostos a contatos bacilíferos domiciliares, a prioridade é a quimioprofilaxia primária para evitar a infecção, adiando a vacinação BCG para não interferir na interpretação da prova tuberculínica posterior.

Contexto Educacional

O manejo de recém-nascidos expostos à tuberculose é um tema recorrente em provas de residência e vital na prática pediátrica brasileira devido à alta prevalência da doença. O protocolo do Ministério da Saúde foca na prevenção da infecção latente e progressão para formas graves (miliar e meníngea) através da quimioprofilaxia primária. A escolha entre Isoniazida (5 a 10 mg/kg) ou Rifampicina (15 a 20 mg/kg) depende da disponibilidade e tolerância, sendo a Rifampicina frequentemente preferida por cursos mais curtos em outros contextos, mas a Isoniazida permanece o padrão ouro no RN por 3 meses iniciais. A compreensão da cronologia (Profilaxia → PPD → Decisão sobre BCG) é o ponto chave para acertar questões sobre este tema.

Perguntas Frequentes

Por que não vacinar com BCG ao nascimento se houver contato domiciliar com TB?

A vacinação com BCG em um recém-nascido que já pode estar em período de incubação ou que será submetido à quimioprofilaxia primária é contraindicada temporariamente. O principal motivo é que a vacina pode causar uma reação local exacerbada ou dificultar a interpretação da Prova Tuberculínica (PPD) que será realizada após 3 meses de tratamento profilático. O protocolo brasileiro recomenda iniciar a quimioprofilaxia com Isoniazida ou Rifampicina imediatamente e postergar a vacina até que se comprove que o RN não foi infectado (PPD não reator).

Qual o tempo de quimioprofilaxia antes de realizar o PPD?

O recém-nascido deve receber a quimioprofilaxia primária por 3 meses (90 dias). Após esse período, deve-se realizar a Prova Tuberculínica (PPD). Se o resultado do PPD for menor que 5 mm (não reator), a quimioprofilaxia é interrompida e a criança deve ser vacinada com BCG. Se o PPD for maior ou igual a 5 mm (reator), a quimioprofilaxia deve ser mantida por mais 3 meses (totalizando 6 meses de Isoniazida) e a vacina BCG não deve ser aplicada, pois a criança já se encontra infectada.

Pode manter o aleitamento materno se o pai estiver com TB?

Sim, o aleitamento materno deve ser mantido. A tuberculose não é transmitida pelo leite materno. No entanto, medidas de controle ambiental e de contato devem ser rigorosas. Se a mãe fosse o caso índice bacilífero, ela deveria usar máscara cirúrgica ao amamentar até que se tornasse não bacilífera (geralmente após 15 dias de tratamento), mas o aleitamento nunca deve ser suspenso apenas pela exposição ou tratamento profilático do RN.

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