Tuberculose em Crianças: Conduta no Contato Domiciliar

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2023

Enunciado

Uma família vem sendo acompanhada pela Unidade de Saúde porque os pais foram recém diagnosticados com tuberculose. Eles possuem 4 filhos. Qual a conduta imediata CORRETA frente ao cuidado com os filhos? (Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 5a.ed, Barueri, SP: Manole, 2021.)

Alternativas

  1. A) Menina de 12 anos, assintomática, com Prova tuberculínica 12 mm e raio x de tórax normal – realizar nova prova tuberculínica em 8 semanas para confirmar.
  2. B) Menino de 10 anos de idade com prova tuberculínica 4 mm e RX de tórax normal – realizar tratamento de infecção latente.
  3. C) Recém-nascido assintomático, iniciar quimioprofilaxia primária e não vacinar com BCG.
  4. D) Menina de 5 anos de idade afebril, com tosse e sibilância, prova turberculínica 7 mm e raio x de tórax normal – iniciar tratamento para tuberculose.
  5. E) Nenhuma das alternativas.

Pérola Clínica

RN contato TB ativa → Quimioprofilaxia primária (Isoniazida) + NÃO vacinar BCG.

Resumo-Chave

Em recém-nascidos coabitantes de casos de tuberculose pulmonar bacilífera, a quimioprofilaxia primária com isoniazida é indicada. A vacina BCG deve ser postergada até a exclusão da doença e término da quimioprofilaxia, pois a vacinação poderia mascarar uma infecção ou causar efeitos adversos em caso de infecção já estabelecida.

Contexto Educacional

A tuberculose em crianças representa um desafio diagnóstico e terapêutico, sendo frequentemente uma manifestação da infecção de um adulto no domicílio. A identificação precoce de contatos e a instituição de medidas profiláticas são cruciais para prevenir a progressão da infecção latente para doença ativa, especialmente em grupos de risco como recém-nascidos e crianças pequenas, que têm maior probabilidade de desenvolver formas graves da doença. A conduta em crianças e recém-nascidos expostos à tuberculose ativa deve seguir protocolos específicos. Recém-nascidos assintomáticos, coabitantes de casos de tuberculose pulmonar bacilífera, devem receber quimioprofilaxia primária com isoniazida por três meses. A vacinação com BCG deve ser adiada até o término da quimioprofilaxia e a exclusão da doença ativa, pois a vacina pode interferir na interpretação de testes diagnósticos ou exacerbar uma infecção já presente. Outras crianças em contato, dependendo da idade e do resultado da Prova Tuberculínica (PPD) e radiografia de tórax, podem necessitar de quimioprofilaxia ou investigação para doença ativa. É fundamental uma avaliação individualizada, considerando o risco de adoecimento e a presença de fatores de risco, para garantir a proteção adequada e evitar o desenvolvimento de formas graves da tuberculose pediátrica.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para recém-nascidos em contato com tuberculose?

Recém-nascidos assintomáticos em contato com caso de tuberculose pulmonar bacilífera devem iniciar quimioprofilaxia primária com isoniazida e não devem ser vacinados com BCG inicialmente.

Por que a vacina BCG é contraindicada em recém-nascidos em contato com tuberculose?

A vacina BCG é postergada para evitar mascarar uma possível infecção já estabelecida ou causar reações adversas em um indivíduo já infectado, além de permitir a avaliação diagnóstica completa.

Quando é indicada a quimioprofilaxia para crianças expostas à tuberculose?

A quimioprofilaxia é indicada para contatos intradomiciliares de casos de tuberculose pulmonar bacilífera, especialmente em crianças menores de 5 anos e imunocomprometidos, independentemente do resultado do PPD inicial em algumas situações.

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