INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Um recém-nascido (RN) de 10 dias de vida, do sexo masculino, é levado ao Posto de Saúde para avaliação, uma vez que seu pai acabou de receber o diagnóstico de tuberculose pulmonar, não tendo ainda iniciado o tratamento. A mãe não possui queixas específicas em relação à criança. A gestação e o parto não apresentaram intercorrências e o aleitamento materno segue sem dificuldades. O RN mostra-se em bom estado geral, ativo, corado, hidratado, e o restante do exame físico é normal. Nessa situação, qual das condutas seguintes é a mais adequada?
RN exposto à TB → Adiar BCG + Isoniazida (3 meses) → PPD. Se PPD < 5mm: Vacinar BCG.
O recém-nascido exposto a contato domiciliar bacilífero não deve ser vacinado com BCG de imediato; inicia-se quimioprofilaxia primária para evitar a infecção e avalia-se a resposta imunológica após 3 meses.
O manejo do recém-nascido exposto à tuberculose é uma situação crítica de saúde pública. O objetivo da quimioprofilaxia primária é impedir que o bacilo de Koch se estabeleça no organismo do neonato, que possui um sistema imune imaturo e alto risco de formas graves (miliar e meníngea). A droga de escolha no Brasil é a Isoniazida (5 a 10 mg/kg/dia) ou Rifampicina, dependendo da disponibilidade e tolerância. Este protocolo segue as diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. É fundamental orientar a família sobre a importância da adesão ao tratamento preventivo e o isolamento (ou tratamento adequado) do caso índice para interromper a cadeia de transmissão domiciliar.
A vacinação com BCG deve ser adiada porque o RN pode já estar infectado ou em período de incubação. Além disso, a vacina BCG positivaria o PPD, impedindo que este teste seja usado após 3 meses para diferenciar se o RN se infectou ou não a partir do contato domiciliar.
Após 3 meses de quimioprofilaxia primária, realiza-se o PPD. Se o PPD for < 5mm, interrompe-se a medicação e vacina-se com BCG. Se o PPD for ≥ 5mm, a quimioprofilaxia (agora secundária) é mantida por mais 3 meses (totalizando 6 meses) e a BCG não é aplicada.
Se o RN apresentar qualquer sintoma clínico ou alteração radiológica sugestiva de tuberculose ativa, a conduta muda de quimioprofilaxia para tratamento da doença (esquema RIP: Rifampicina, Isoniazida e Pirazinamida), conforme protocolos pediátricos específicos.
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