Quimioprofilaxia na Doença Meningocócica: Critérios e Drogas

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um menino, com 8 anos de idade, é atendido na Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro com quadro suspeito de meningite. O paciente é transferido para uma Unidade Hospitalar, onde é confirmado o diagnóstico de meningite meningocócica 24 horas após o início dos sintomas. O serviço de Vigilância Epidemiológica do município entra em contato com a UBS da área de abrangência onde reside o menino e solicita adoção de medidas para prevenção de casos secundários da doença, não sendo identificado nenhum outro caso suspeito de meningite até 36 horas após o início dos sintomas. O menino atendido mora com a mãe e uma irmã de 3 anos de idade e estuda em uma escola municipal localizada na área de abrangência da UBS. Considerando as medidas de prevenção e controle de casos secundários de doença meningocócica, a equipe da UBS deverá providenciar:

Alternativas

  1. A) Quimioprofilaxia com ceftriaxona para mãe, irmã e todas as crianças que estudam na mesma sala do paciente.
  2. B) Quimioprofilaxia com rifampicina para mãe, irmã e para os profissionais de saúde da UBS que realizaram o atendimento inicial da criança.
  3. C) Quimioprofilaxia com ceftriaxona para mãe e irmã, e vacina conjugada contra o meningococo tipo C para todas as crianças que estudam na mesma sala do paciente.
  4. D) Quimioprofilaxia com rifampicina para mãe e irmã, e vacina conjugada contra o meningococo tipo C para todas as crianças que estudam na mesma sala do paciente.

Pérola Clínica

Profilaxia meningite → Contatos domiciliares e escolares (mesma sala) < 48h. Ceftriaxone é opção.

Resumo-Chave

A quimioprofilaxia visa erradicar o estado de portador em contatos próximos. Embora a Rifampicina seja a primeira escolha clássica, a Ceftriaxone (dose única IM) é uma alternativa eficaz e recomendada em protocolos específicos.

Contexto Educacional

A Doença Meningocócica (DM) é uma emergência médica e de saúde pública devido à sua rápida evolução e potencial de causar surtos. A quimioprofilaxia é a medida mais eficaz para prevenir casos secundários entre contatos próximos, pois elimina o meningococo da nasofaringe de portadores assintomáticos, que são a principal fonte de transmissão. É crucial que o médico residente saiba diferenciar quem realmente precisa da profilaxia para evitar o uso indiscriminado de antibióticos. Profissionais de saúde que atenderam o paciente usando precauções padrão (máscara cirúrgica) não possuem indicação. A notificação compulsória deve ser imediata (em até 24 horas) para que as medidas de bloqueio sejam implementadas tempestivamente pela rede de vigilância.

Perguntas Frequentes

Quem são considerados contatos próximos para indicação de profilaxia?

Contatos próximos incluem: 1) Moradores do mesmo domicílio que o caso índice; 2) Pessoas que compartilham o mesmo dormitório (alojamentos, quartéis); 3) Contatos em creches e escolas (crianças da mesma sala de aula); 4) Pessoas expostas diretamente às secreções orofaríngeas do paciente (beijos, compartilhamento de utensílios) ou através de procedimentos médicos sem proteção adequada (intubação, aspiração, respiração boca-a-boca). A quimioprofilaxia deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras 24 a 48 horas após a identificação do caso índice para máxima eficácia na prevenção de casos secundários.

Quais são as drogas de escolha para a quimioprofilaxia da meningite?

A droga de escolha padrão no Brasil é a Rifampicina (600mg 12/12h por 2 dias em adultos; doses ajustadas para crianças). No entanto, alternativas eficazes incluem a Ceftriaxona (dose única IM de 250mg para adultos ou 125mg para crianças < 12 anos), que é a escolha preferencial para gestantes, e o Ciprofloxacino (dose única oral de 500mg para adultos), embora este último não seja recomendado para menores de 18 anos. A escolha depende da disponibilidade, perfil do paciente e diretrizes locais da vigilância epidemiológica.

Quando a vacinação de bloqueio é indicada em surtos de meningite?

A vacinação de bloqueio não é uma medida de rotina para contatos individuais de um caso isolado. Ela é indicada apenas quando a Vigilância Epidemiológica caracteriza a ocorrência de um surto (geralmente definido por 3 ou mais casos do mesmo sorogrupo em um período de 3 meses na mesma área geográfica ou instituição). A decisão de vacinar uma escola ou bairro depende da análise técnica do cenário epidemiológico, visando interromper a cadeia de transmissão do sorogrupo específico identificado.

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