SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Júlio de 4 anos é admitido em serviço de emergência, com diagnóstico clínico de meningite. O pediatra solicitou imediatamente a punção lombar, e o resultado da análise do líquido cefalorraquidiano foi o seguinte: Aspecto: turvo Células: 850 leucócitos/mm³, sendo 90% de polimorfonucleares Proteína: 175 mg/dL Glicose: 21 mg/dL Coloração pelo método de Gram: diplococos Gram positivo Além de instituir a antibioticoterapia imediata para esse paciente, a mãe da criança questiona sobre “prevenção” para o seu outro filho, com apenas 18 meses de idade, contactante direto de Júlio, pois ambos brincam juntos e dormem no mesmo quarto. A conduta do pediatra, levando em consideração o diagnóstico etiológico presuntivo, será estabelecer a quimioprofilaxia para o irmão de Júlio com
Meningite por Pneumococo (Gram +) → NÃO requer quimioprofilaxia para contatos.
A quimioprofilaxia para contatos de meningite bacteriana só está indicada para Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b.
O manejo de contatos em casos de meningite bacteriana é uma dúvida frequente na emergência pediátrica. A identificação do agente pelo Gram é crucial: diplococos Gram-positivos indicam Streptococcus pneumoniae, enquanto diplococos Gram-negativos indicam Neisseria meningitidis. Para o pneumococo, a prevenção baseia-se exclusivamente na vacinação (VPC-10 ou VPC-13). Já para o meningococo, a quimioprofilaxia deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras 24 horas após a identificação do caso índice para todos os contatos domiciliares e de ambientes fechados.
A quimioprofilaxia está indicada apenas para contatos próximos de pacientes com doença meningocócica (Neisseria meningitidis) ou doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b (em situações específicas de contatos não vacinados). O objetivo é erradicar o estado de portador na orofaringe e prevenir casos secundários.
O Streptococcus pneumoniae, apesar de ser uma causa grave de meningite, não é transmitido da mesma forma que o meningococo em surtos domiciliares ou escolares que justifiquem o bloqueio. O risco de doença secundária em contatos é considerado desprezível, portanto, não há recomendação de antibiótico profilático para quem convive com o paciente.
A Rifampicina é a droga de escolha. Para adultos, 600mg 12/12h por 2 dias. Para crianças, 10mg/kg (máximo 600mg) 12/12h por 2 dias. Alternativas incluem Ceftriaxona (dose única IM) ou Ciprofloxacino (dose única VO, apenas para adultos).
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