HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023
Homem de 28 anos, procurou o PS no início do plantão noturno, relatando um dia de coriza, dor de garganta, mialgia, cefaleia e febre medida de 38,5°C. Como antecedentes, relatava apenas pós-operatório tardio (mais de dois anos) de cirurgia bariátrica, com IMC atual de 31kg/m2. Apesar de se encontrar normotenso e normocárdico à chegada, o plantonista notou hipoxemia (SpO2:90%), e instalou cateter nasal de oxigênio, com melhora inicial e colocação do paciente em leito de observação na retaguarda do PS, onde estava aguardando realização de radiografia de tórax e exames laboratoriais. Entretanto, ao longo da noite evoluiu com piora da hipoxemia e crescente necessidade de oxigênio suplementar. A radiografia mostrou infiltrado pulmonar bilateral difuso ainda discreto, o que levantou hipótese de H1N1. Com menos de 12 horas de observação, desenvolveu hipotensão. O plantonista do período matinal introduziu antibióticos empiricamente, instalou um acesso venoso central e iniciou vasopressores e encaminhou à UTI. Ao chegar à unidade, houve rebaixamento de consciência e necessidade de intubação orotraqueal. Após 8 horas da admissão à UTI, o choque mostrou-se refratário e o paciente foi a óbito. No dia seguinte, a equipe recebe o resultado parcial das hemoculturas colhidas no PS, com diplococos Gramnegativos em identificação. Assinale a alternativa que indica quem deve receber quimioprofilaxia.
Quimioprofilaxia para meningite meningocócica é indicada para contatos próximos e profissionais com exposição direta a secreções respiratórias sem proteção.
A quimioprofilaxia para doença meningocócica é crucial para contatos próximos e profissionais de saúde com exposição de alto risco (ex: intubação sem EPI adequado), visando prevenir a transmissão e o desenvolvimento da doença. O risco é maior antes do início da antibioticoterapia eficaz.
A doença meningocócica invasiva, causada pela Neisseria meningitidis, é uma infecção bacteriana grave com alta morbimortalidade, caracterizada por meningite, meningococcemia ou ambas. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias de pessoas colonizadas ou infectadas. A rápida progressão do quadro clínico, como visto no caso, é característica da infecção meningocócica, que pode levar a choque séptico e óbito em poucas horas. A quimioprofilaxia é uma medida crucial para controlar a disseminação da doença. Ela é indicada para "contatos próximos" do caso índice, que incluem coabitantes, parceiros sexuais, pessoas que compartilham o mesmo dormitório ou que foram expostas diretamente às secreções respiratórias do paciente (ex: beijo, intubação, aspiração de vias aéreas sem EPI adequado). Profissionais de saúde que realizaram procedimentos invasivos (como intubação orotraqueal ou aspiração de vias aéreas) sem a proteção adequada (máscara, óculos) também se enquadram nessa categoria de alto risco. Os medicamentos de escolha para quimioprofilaxia incluem rifampicina, ciprofloxacino e ceftriaxona. A escolha depende de fatores como idade, gravidez e interações medicamentosas. É importante ressaltar que a quimioprofilaxia deve ser administrada o mais rápido possível após a exposição, idealmente nas primeiras 24 horas, e não é indicada para todos os profissionais que tiveram contato com o paciente, mas apenas para aqueles com exposição de alto risco.
A quimioprofilaxia é indicada para contatos próximos (domiciliares, creches, escolas) e profissionais de saúde com exposição direta a secreções respiratórias do paciente (ex: intubação, aspiração) sem uso adequado de equipamento de proteção individual (EPI).
Os medicamentos mais comuns para quimioprofilaxia são rifampicina (oral), ciprofloxacino (dose única oral) ou ceftriaxona (dose única intramuscular), dependendo da idade e contraindicações.
A quimioprofilaxia é fundamental para erradicar a colonização nasofaríngea pela Neisseria meningitidis em indivíduos expostos, prevenindo a transmissão secundária e o desenvolvimento da doença invasiva nesses contatos.
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