Meningite Meningocócica: Quimioprofilaxia em Contatos

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Pedro, lactente de 11 meses, com anemia falciforme, há 2 dias vem apresentando febre moderada acompanhada de inapetência e três episódios de vômitos. Há 6 horas o lactente foi atendido na emergência com piora do estado geral, toxemia e aparecimento de lesões purpúricas disseminadas. Realizado exame do líquor que mostrou pleocitose e presença de diplococos gram-negativo. Cultura do líquor evidenciou Neisseria meningitidis. Pedro frequentou a creche em período integral até ser encaminhado a emergência. Sabendo-se que a rifampicina está em falta nas farmácias do SUS, qual outra medicação pode ser utilizada na quimioprofilaxia dos lactentes comunicantes dessa creche?

Alternativas

  1. A) Isoniazida via oral durante 2 dias, apenas nos lactentes com vacinação incompleta.
  2. B) Ciprofloxacino via oral durante 2 dias, independente do estado vacinal dos lactentes.
  3. C) Ceftriaxona intramuscular em dose única, independente do estado vacinal dos lactentes.
  4. D) Penicilina benzatina intramuscular em dose única, apenas nos lactentes com vacinação incompleta.

Pérola Clínica

Quimioprofilaxia meningite meningocócica: Ceftriaxona IM dose única ou Ciprofloxacino VO dose única (adultos) são alternativas à Rifampicina.

Resumo-Chave

A quimioprofilaxia para contatos próximos de casos de doença meningocócica é crucial para prevenir a disseminação. Embora a rifampicina seja a primeira escolha, ceftriaxona e ciprofloxacino são alternativas eficazes, com a ceftriaxona sendo preferível para crianças e gestantes.

Contexto Educacional

A doença meningocócica, causada pela Neisseria meningitidis, é uma infecção bacteriana grave que pode levar a meningite e sepse, com alta morbimortalidade. Sua transmissão ocorre por gotículas respiratórias, sendo a identificação e manejo de contatos essenciais para conter surtos, especialmente em ambientes como creches. A anemia falciforme é um fator de risco para infecções invasivas, incluindo a meningocócica. A quimioprofilaxia visa erradicar o estado de portador assintomático na nasofaringe dos contatos, impedindo a transmissão secundária. A rifampicina é a droga de escolha, mas sua indisponibilidade exige o uso de alternativas. A ceftriaxona, administrada em dose única intramuscular, é uma excelente opção para todas as idades, incluindo lactentes e gestantes, devido à sua eficácia e conveniência. O ciprofloxacino em dose única oral é outra alternativa para adultos. É fundamental que a quimioprofilaxia seja iniciada o mais rápido possível após a identificação do caso índice e dos contatos. O estado vacinal dos contatos não exclui a necessidade de profilaxia em caso de exposição, pois a vacina pode não cobrir todos os sorogrupos ou a proteção pode não ser imediata. A vigilância epidemiológica e a comunicação com as autoridades de saúde são cruciais em situações de surto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar a quimioprofilaxia da meningite meningocócica?

A quimioprofilaxia é indicada para contatos próximos do caso índice, como moradores da mesma casa, parceiros sexuais, e pessoas expostas a secreções respiratórias (ex: creche, contato íntimo) nas últimas 72 horas.

Por que a Ceftriaxona é uma alternativa eficaz para a quimioprofilaxia?

A Ceftriaxona é um antibiótico bactericida de amplo espectro, eficaz contra Neisseria meningitidis, e sua administração em dose única intramuscular garante boa adesão e erradicação do estado de portador na nasofaringe.

Quais são as principais drogas utilizadas na quimioprofilaxia da doença meningocócica?

As principais drogas são rifampicina (primeira escolha), ceftriaxona (especialmente para gestantes e crianças) e ciprofloxacino (para adultos, dose única), todas visando erradicar o estado de portador.

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