USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Paciente de 14 anos, sexo feminino, acompanhada da mãe e refere história de, há 15 dias, ter iniciado tosse seca e esporádica, associada à rinorreia e febre baixa (não aferida). Refere que houve melhora dos sintomas, exceto da tosse, que há 2 dias passou a ser paroxística, súbita, incontrolável, com tossidas rápidas e curtas (cinco a dez), em uma única expiração associada a episódios de vômitos, após a tosse. Mãe nega que a adolescente tenha problemas de saúde prévios, nega alergias e refere vacinação atualizada. A adolescente reside com a mãe, pai e um irmão de 10 meses de idade. Nega sintomas em familiares e refere que todos estão com as vacinas atualizadas. Considerando que foi colhido exame apropriado e iniciado tratamento indicado para suspeita do caso sintomático, qual conduta é a mais indicada para os comunicantes deste caso?
Coqueluche: Comunicantes domiciliares, especialmente lactentes, exigem quimioprofilaxia com macrolídeos, independente do status vacinal.
A coqueluche é altamente contagiosa, e a quimioprofilaxia é crucial para contatos próximos, especialmente aqueles com risco de doença grave, como lactentes menores de 1 ano. O tratamento precoce e a profilaxia visam reduzir a transmissão e prevenir complicações sérias.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, com maior gravidade em lactentes. Caracteriza-se por tosse paroxística, que pode ser seguida de guincho inspiratório e vômitos. A vacinação é a principal medida preventiva, mas a doença ainda ocorre, especialmente em adolescentes e adultos, que podem ser fontes de infecção para crianças não vacinadas ou parcialmente vacinadas. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para conter a disseminação e prevenir complicações graves. O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por cultura de secreção nasofaríngea ou PCR. A conduta para comunicantes é um ponto chave na saúde pública. A quimioprofilaxia com macrolídeos é recomendada para todos os contatos domiciliares e outros contatos próximos de alto risco, independentemente do status vacinal, especialmente se houver lactentes menores de 1 ano ou gestantes no grupo. Essa medida visa interromper a cadeia de transmissão e proteger os mais vulneráveis. O tratamento da coqueluche em si também é feito com macrolídeos, que são mais eficazes se iniciados precocemente na fase catarral. Para residentes, é fundamental compreender a epidemiologia, o quadro clínico em diferentes faixas etárias e, principalmente, as diretrizes de quimioprofilaxia para proteger a comunidade e os pacientes de alto risco.
Em adolescentes, a coqueluche pode se manifestar com tosse paroxística prolongada, súbita e incontrolável, muitas vezes seguida de vômitos pós-tosse. O guincho inspiratório clássico pode estar ausente, tornando o diagnóstico mais desafiador.
A quimioprofilaxia é indicada para comunicantes próximos, especialmente aqueles com risco de doença grave (como lactentes), para prevenir a infecção e a transmissão. Ela reduz a carga bacteriana e o período de contágio, mesmo em indivíduos vacinados.
O tratamento de escolha para a coqueluche e sua quimioprofilaxia são os macrolídeos, como azitromicina, claritromicina ou eritromicina. A escolha e duração dependem da idade do paciente e do medicamento específico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo