FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Homem, 55 anos, submetido recentemente à esofagectomia por adenocarcinoma de esôfago apresentou quadro de insuficiência respiratória aguda, associado à dor inspiratória e fadiga. Uma radiografia de tórax revelou velamento completo do hemitórax à direita. Optou-se pela drenagem torácica que evidenciou a saída de grande quantidade de líquido branco-leitoso. A análise do líquido mostrou elevada concentração de gorduras e predominância linfocítica na contagem celular. Assinale a alternativa correta.
Quilotórax pós-esofagectomia → líquido branco-leitoso na drenagem torácica com ↑ gordura e linfócitos.
O quilotórax é uma complicação grave da esofagectomia, caracterizada pelo extravasamento de quilo do ducto torácico. A identificação intraoperatória do vazamento com óleo de oliva ou creme é uma técnica útil para facilitar a ligadura direta e prevenir a formação de fístulas.
O quilotórax é uma complicação rara, mas potencialmente grave, da esofagectomia, com incidência variando de 1% a 9%. Resulta da lesão do ducto torácico durante a cirurgia, levando ao extravasamento de quilo para a cavidade pleural. A importância clínica reside na perda significativa de fluidos, eletrólitos, proteínas e linfócitos, podendo causar desnutrição, imunossupressão e desequilíbrio hidroeletrolítico. A fisiopatologia envolve a ruptura do ducto torácico, que transporta linfa rica em triglicerídeos absorvidos do intestino. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por dispneia e derrame pleural após cirurgia torácica, e confirmado pela análise do líquido pleural, que tipicamente é branco-leitoso, com triglicerídeos elevados (>110 mg/dL) e predominância linfocítica. A suspeita deve ser alta em qualquer derrame pleural pós-esofagectomia. O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Medidas conservadoras incluem dieta com restrição de gordura, nutrição parenteral total e uso de octreotide para reduzir o fluxo linfático. A cirurgia, como a ligadura do ducto torácico, é indicada para casos de alto débito (geralmente >1,5 L/dia por mais de 5 dias ou >1 L/dia por mais de 1 semana) ou falha do tratamento conservador. A instilação de óleo de oliva ou creme no intraoperatório pode auxiliar na identificação do local do vazamento para ligadura direta, aumentando as chances de sucesso cirúrgico.
Os pacientes podem apresentar dispneia, dor torácica inspiratória, fadiga e sinais de insuficiência respiratória. A radiografia de tórax pode mostrar derrame pleural.
O diagnóstico é confirmado pela análise do líquido pleural obtido por drenagem torácica, que revela aspecto branco-leitoso, alta concentração de triglicerídeos (>110 mg/dL) e predominância linfocítica.
Inicialmente, o manejo é conservador com dieta pobre em gordura e rica em triglicerídeos de cadeia média, nutrição parenteral total, e uso de octreotide. A cirurgia é indicada para casos de alto débito ou falha do tratamento conservador.
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